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Após terremoto, medo de enfrentar tragédia sozinho traz onda de noivados e casamentos no país e mantém aquecido segmento de joias

Nem mesmo o terremoto, o tsunami e a crise nuclear foram suficientes para frear o consumo de itens de luxo no Japão. Pelo contrário, até serviram de motivo para ir às compras. Com medo de enfrentar novas tragédias sozinhos, os japoneses estão ficando noivos e se casando mais, o que contribui para manter o nível de vendas de joias nos últimos meses.

Medo de enfrentar tragédias sozinho traz onda de noivados e casamentos no país
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Medo de enfrentar tragédias sozinho traz onda de noivados e casamentos no país
Mas esse não é o único motivo, segundo estudo feito pela consultoria McKinsey. Os consumidores também são guiados pela razão na hora de escolher onde gastar seus recursos. “Joias e relógios estão entre os poucos itens de valor fáceis de carregar em casos de evacuação”, diz a pesquisa.

Por outro lado, as vendas de produtos como cosméticos recuaram após a tragédia que atingiu o país em março. “Isso reflete uma mudança natural de comportamento do consumidor”, segundo a McKinsey, já que a tendência é que a população esteja ansiosa demais com tremores secundários para pensar em tratamentos de beleza e maquiagem.

A pesquisa mostra que o clima ainda é de cautela. As compras por impulso continuam a ceder lugar ao consumo planejado e à busca por ofertas, como tem ocorrido desde a crise financeira global de 2008.

Ainda assim, os japoneses mais abastados continuam a lotar as butiques do país. O movimento foi observado especialmente em maio, quando muitos dos que costumavam viajar durante o feriado conhecido como "semana de ouro" aparentemente ficaram no Japão e foram as compras.

Para a McKinsey, após sentir o choque inicial com a tragédia no país, o mercado de luxo retomou a trajetória positiva e deve voltar aos níveis observados antes de março no máximo até o final do ano.

O Japão continua a ser um dos mercados mais importantes do mundo para bens de luxo. O país responde por 18% das vendas globais de marcas famosas como Tiffany, Hermès, Coach e Bulgari, 14% da Gucci, 9% da controladora da marca Louis Vuitton (LVMH) e 8% da Burberry.