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Presidente da Laep, que controla a marca, Luiz Cezar Fernandes quer multiplicar faturamento da Daslu por 10 em 3 anos

“Vamos arrumar a Daslu, colocar de pé e vender o mais rápido possível”. Assim, Luiz Cezar Fernandes resume seus planos para a marca de luxo à frente da Laep Investimentos, grupo que controla a Daslu. Fundador dos bancos Pactual e Garantia, Fernandes assumiu o comando da Laep há menos de um mês com a meta de reestruturar a grife que se tornou famosa graças a Eliana Tranchesi, morta no último dia 24 .

A Laep arrematou a Daslu em fevereiro do ano passado por R$ 65 milhões, dos quais R$ 44 milhões foram destinados ao pagamento de credores. As dívidas da grife com a Receita Federal – estimadas em R$ 500 milhões – foram renegociadas pelos antigos donos.

Daslu deve inaugurar este ano lojas em Brasília e Ribeirão Preto
AE
Daslu deve inaugurar este ano lojas em Brasília e Ribeirão Preto
“A Laep não comprou a Daslu para se tornar um player desse mercado. Desde o início, a ideia era recuperar a empresa, torná-la lucrativa e colocá-la à venda. Não sei dizer ainda se isso vai acontecer daqui a alguns meses ou em dois ou três anos. Mas será o quanto antes”, afirmou Fernandes em entrevista exclusiva ao iG .

Sem revelar números, o ex-banqueiro contou ainda que pretende “multiplicar o faturamento da Daslu por dez em menos de três anos”, meta que ele considera “bastante razoável”. Segundo fontes da empresa ouvidas pelo iG , estima-se que a grife tenha hoje um faturamento mensal de R$ 15 milhões, menos da metade da receita mensal de R$ 42 milhões obtida à época em que a Villa Daslu operava a pleno vapor.

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O mais barato das grifes de luxo

Em pouco menos de 30 dias presidindo a Laep, Fernandes já definiu boa parte da estratégia a ser adotada na reorganização dos negócios da grife. Os planos de recuperação da Daslu, conta, passam pela inauguração de lojas-âncora em grandes shoppings do País e até mesmo pela criação de uma marca secundária.

Segundo o executivo, as lojas do Fashion Mall, no Rio, e do Shopping Cidade Jardim, em São Paulo, vendem bem, com um custo muito inferior ao de uma operação como a Villa Daslu. “Somos uma marca que interessa muito aos principais shoppings do País, que estão dispostos a nos oferecer várias vantagens. Por isso, vamos dar prioridade a esse modelo”, diz Fernandes.

Além da unidade já prevista para o Shopping JK, na capital paulista, devem ser inauguradas ainda neste ano uma loja em Brasília e outra em Ribeirão Preto. A Laep avalia também a possibilidade de se instalar no Village Mall, shopping voltado à classe A que deverá ser inaugurado no Rio de Janeiro até o final do ano.

Marca secundária

A recuperação desenhada pelo ex-banqueiro, que tem no currículo a participação em processos de reestruturação de empresas como Mesbla, Lacta e Benetton, prevê ainda estudos para o lançamento de uma marca alternativa. A ideia, explica, é criar uma opção para o público da classe B. “Estamos avaliando a criação de uma segunda marca Daslu em que os clientes possam ter peças com a mesma qualidade e design, mas pagando um pouco menos”.

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A Daslu também deve manter o atual mix de produtos. Desde o escândalo por sonegação de impostos , em 2005, a grife foi reduzindo a participação de itens importados em sua grade. Hoje 70% do que é vendido nas lojas do Rio e de São Paulo são produtos de marca própria. Mesmo com essa composição, Fernandes diz que não teme a concorrência das grandes grifes internacionais que devem chegar ao Brasil este ano, como Miu Miu, Coach e Tory Burch.

“Essas lojas internacionais não têm a cultura de se preocupar em adaptar suas roupas ao mercado local. E, no Brasil, a modelagem do vestuário feminino certamente será um grande limitador, pois as europeias e americanas são ‘nadadoras’: nadam de frente e nadam de costas. Já a mulher brasileira é famosa por suas curvas”, diz o executivo, que revela ter passado por problema semelhante quando trouxe a grife Fiorucci para o Brasil: “As calças jeans não entravam em ninguém. A marca teve que redesenhar as roupas para vender aqui”.

De acordo com ele, pesam ainda contra as grifes internacionais problemas estruturais do Brasil, como a elevada tributação e as dificuldades de logística. A despeito de tal análise, ele não se diz feliz com o fato de que a concorrência encontrará dificuldades. “Eles não vão ser os competidores que eu gostaria que fossem. E é fundamental ter competição para não virar ‘gato de armazém’ e perder o foco em qualidade, que foi o que aconteceu com grande parte dos players nacionais”.

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