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Portais buscam se diferenciar com ofertas que vão além do sushi e depilação; Brasil já possui 1.200 sites de compras coletivas

Ingressos para grandes eventos, como o show do U2 em Buenos Aires, começam a aparecer nos sites de compras coletivas, que querem deixar de oferecer apenas descontos no restaurante japonês da esquina. Mesmo com apenas um ano de vida, os três maiores portais de desconto do País, Groupon, Peixe Urbano e ClickOn, já buscam alternativas para se diferenciar dos concorrentes, em um mercado que foi invadido por pequenos empreendedores.

Já existem hoje no Brasil 1.200 sites de compras coletivas, segundo o e-bit, empresa de pesquisa que pertence ao grupo Buscapé, que lançou o SaveMe, um serviço que agrega os sites de compras coletivas. Mas os três maiores sites controlam 80% do mercado.

Show do U2 em Buenos Aires

O ClickOn colocou no ar nesta quarta-feira um pacote de viagem para assistir ao show da banda U2 em Buenos Aires, que inclui hotel três estrelas e traslados, por R$ 1.670,00. O site já vendeu na semana passada 250 pacotes para o show da banda irlandesa na capital argentina, por R$ 1.969,00 para duas pessoas, em hotel de alto padrão.

O segredo por trás do sucesso dos sites de descontos foi a criação de uma demanda extraordinária para empresas e serviços que apresentavam capacidade ociosa, como restaurantes e centros de tratamento de beleza. Esse, porém, não é o caso do U2. Pelo contrário, ingressos para o show da banda irlandesa se esgotaram para o público em questão de horas.

Claudia Woods, diretora de marketing do ClickOn, acredita que o sucesso dos sites de desconto estará agora em ir atrás daquilo que o consumidor mais deseja, na eficiência da equipe de compras e não de vendas.

No caso dos megaeventos, por exemplo, os consumidores precisam disputar ingressos com grandes compradores, como operadoras turísticas e programas de fidelidade.

“Buscamos identificar quem tem esses grandes lotes de ingressos”, diz Claudia. Para o show do U2 na Argentina, a ClickOn fechou uma parceria com a Export Sul, que possuía os ingressos e já havia contratado as diárias de hotel na capital argentina.

“As pessoas acham que é fácil abrir um site de compras coletivas. Que é só comprar uma plataforma por alguns dólares”, diz Claudia. “Na verdade, esse é um negócio que requer uma gestão financeira complexa, já que o site recebe em nome do estabelecimento. Existe um risco para o empresário e para o usuário”, afirma a executiva.

Segundo a pesquisa do e-bit, 61% dos consumidores online no Brasil já conhecem o conceito de compras coletivas, mas, deste total, 51% nunca compraram nos sites do gênero. Entre aqueles que já testaram esse canal de venda, o índice de adesão é elevado: 82% responderam que pretendem comprar de novo.

Consolidação

Depois do boom, a tendência é de consolidação e segmentação no setor de compras coletivas, avaliam analistas. “Os portais pequenos não têm mais como competir com os três líderes. A única chance é focar em ofertas específicas, como de restaurantes, moda ou estética, por exemplo”, afirma Felipe Dellacqua, diretor da consultoria E-Tática.

Aquisições e associações entre portais de compras coletivas e de e-commerce também devem acontecer. A primeira delas, entre o site OfertaX e o Comprafácil.com , foi fechada em outubro do ano passado e permitirá ao varejista a redução de estoques com a venda de produtos em grande escala.

Classe A e B

Cerca de 31% da população brasileira ouviu falar dos sites de compras coletivas e 14% adquiriu ou conhece alguém que comprou essas ofertas, de acordo com dados da pesquisa Observador 2011, que acabou de ser divulgada pela Cetelem BGN.

A novidade agradou primeiramente os consumidores das classes A/B. Neste público, o percentual de compradores ou de pessoas que conhecem alguém que adquiriu ofertas sobe para 26%. “Eles começaram a comprar antes porque as ofertas foram muito disseminadas no Facebook, uma rede social utilizada mais por pessoas de alta renda”, diz Dellacqua.

Com a popularização da banda larga e com a divulgação das ofertas em outros canais de comunicação, a tendência é que a classe C descubra as compras coletivas. “Os brasileiros adoram promoções e vão aproveitar as ofertas para usufruir de serviços com preços acessíveis”

O perfil do consumidor de compras coletivas é de pequena fidelidade a marcas. Muitos consumidores não entram nos sites de vendas, mas procuram ofertas em buscadores, como o Google, ou agrupadores de compras coletivas, como os sites SaveMe ou Nosso Desconto. Para manter a liderança no segmento, os grandes portais estão investindo pesado em marketing. “Eles estão anunciando em todos os lugares, para atingir públicos que nem compram ainda pela internet”, diz o consultor.