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Segundo presidente da Brasil Foods, José Antonio Fay, tendência mundial de alta dos preços dos alimentos ainda não terminou

José Antonio Fay, presidente da BR Foods: exportações cresceram 18% no quarto trimestre
AE
José Antonio Fay, presidente da BR Foods: exportações cresceram 18% no quarto trimestre
A forte alta dos preços da carne bovina favoreceu a BRF Brasil Foods, empresa resultante da fusão da Sadia com a Perdigão e uma das maiores produtoras de carne de frango e suína do mundo. As vendas da empresa no mercado interno não só cresceram 10,4% em volume no segmento de carnes no quarto trimestre de 2010, se comparadas a igual período de 2009, como os preços dos produtos comercializados pela companhia foram 11,4% superiores.

Essa combinação fez com que a receita líquida no segmento de carnes crescesse 23% nos últimos três meses do ano passado e provocou um salto nas margens (brutas) de lucro da companhia, que subiu de 23,2% no fim de 2009 para 28,7%.

A BRF anunciou um lucro líquido de R$ 360 milhões no quarto trimestre, 16 vezes maior que os R$ 22 milhões obtidos em igual período de 2009.

A BRF controla a Batavo e é a terceira maior empresa do setor de laticínios no Brasil. Também no segmento de lácteos , os preços apresentaram uma forte alta, de 13,5% no quarto trimestre, mas, nesse mercado, o volume comercializado aumentou menos, 2,1%.

E os consumidores devem se preparar para novos reajustes neste ano. “A tendência é de aumento dos preços (dos alimentos). Não só no Brasil, mas em todo mundo”, afirmou o presidente da BRF, José Antonio Fay, em encontro com jornalistas na sede da empresa, em São Paulo, após discutir os resultados do quarto trimestre com analistas de investimentos.

Segundo ele, os preços globais das matérias-primas agrícolas, como soja e milho, devem continuar em patamares elevados ao longo do primeiro semestre deste ano à medida que os estoques mundiais de passagem de grãos (de uma safra para a outra) ainda não são suficientes para atender todo o consumo.

O movimento de repasse dos custos das matérias-primas para os preços dos alimentos, que já vem acelerando os índices de a inflação desde o ano passado, ainda não terminou, acredita Fay.

Em todo o ano de 2010, a BRF elevou os preços dos seus produtos em apenas 3,6%. Ainda existe espaço, segundo ele, para novos reajustes neste ano. Mas a situação já não será tão confortável para a empresa em termos de custo . No ano passado, a BR Foods ainda possuía estoques elevados de soja e milho, comprados a preços mais baixos.

Além do bom desempenho no mercado interno, a BRF também registrou um bom desempenho no mercado internacional, refletindo o maior apetite global por proteínas animais. As vendas externas cresceram 4,2% em volume, enquanto os preços obtidos com os embarques internacionais aumentaram 16,5% no quarto trimestre.

A demanda externa, disse Fay, tende a continuar aquecida neste ano. No Japão, devastado por terremotos e tsunamis, deve produzir mesmo, enquanto a recuperação econômica dos EUA deve elevar o consumo. Os conflitos no Oriente Médio não afetaram, até agora, os embarques para a região.

Sinergias

A fusão da Sadia com a Perdigão, que ainda precisa ser aprovada pelo órgão antitruste brasileiros, o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), gerou sinergias de totais de R$ 187 milhões em 2010. Se descontados os gastos com a reestruturação, esse valor foi de R$ 74 milhões.

Principais números da BR Foods  (em R$ bilhões)

                                4° tri/2010               4º tri/2009                   (Variação)
Receita                    6,4                          5,3                               21%
Exportações             4,0                          3,2                               22%
Margem bruta          28,7%                     23,2%                          24%
Lucro líquido            360                         22                                1.537%
Margem líquida         5,6%                      0,4%                                 -