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Importadores querem crescer no mercado nacional, mas se queixam dos impostos cobrados sobre a bebida

Degustação promovida durante a Brasil Wine Fair
Divulgação
Degustação promovida durante a Brasil Wine Fair
O vinho está entrando cada dia mais no hábito do brasileiro e quem brinda esse movimento do mercado agora são os produtores portugueses. A primeira edição da Brasil Wine Fair reuniu na semana passada 18 importadores no Rio, a maioria representando vinícolas portuguesas que enxergam o Brasil como um mercado com grande potencial para ampliar as suas vendas.

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“No Brasil, o consumo per capita de vinho é de dois litros por ano. Para se comparar, em Portugal são 47 litros por ano. São quase 200 milhões de potenciais consumidores”, afirma o português José João, responsável pela comunicação da Essência do Vinho, empresa que organizou a Brasil Wine Fair.

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José João acredita que os brasileiros estão cada vez mais interessados em conhecer vinhos, o que abre espaço para que os produtores europeus ganhem um espaço que hoje é dominado por rótulos argentinos e chilenos. “Os brasileiros estão saturados desses vinhos”, acredita.

Apostando nessa tendência, a brasileira que vive em Portugal há nove anos Kiria Marques investe na importação de vinhos portugueses para o Brasil há cerca de seis meses. Ela representa a Emporio Cose, empresa que traz ao País vinhos, azeites e queijos portugueses, entre outros produtos. “O Brasil tem uma carência imensa de oferta de produtos portugueses, e ela pode ser preenchida por produtos de qualidade e com bom preço”, afirma.

Estande da Emporio Cose na Brasil Wine Fair
Divulgação
Estande da Emporio Cose na Brasil Wine Fair
Embora sua operação esteja no início, ela tem uma expectativa ambiciosa: atingir, ainda neste ano, a importação de cerca de 40 mil garrafas de vinho por mês, de diferentes tipos.

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Outro importador entusiasmado com o mercado brasileiro é Casimiro Gomes, fundador da Brasvini, braço da portuguesa Lusovini. Em São Paulo desde o ano passado, a empresa acaba de abrir uma representação no Rio. Por enquanto, ele vem trazendo ao País um contêiner de cerca de 13 mil garrafas por mês, mas acredita que vai aumentar esse volume. “Tenho um projeto de longo prazo, de ter um crescimento nas vendas nos próximos dez anos”, afirma.

A empresa representa 19 produtores portugueses e já trabalha com 53 rótulos no Brasil, de um total de 83 que estão em seu portfólio. Segundo Gomes, os vinhos chegam ao consumidor custando a partir de R$ 20. Mas podem chegar a US$ 5 mil. “Os mais caros são vinhos do porto especiais, de safras centenárias que nós vendemos só por encomenda”, afirma.

Mais novo no mercado brasileiro é António Lopes Ribeiro, da distribuidora Casa de Mouraz. Representante de cerca de dez rótulos orgânicos, ele está em busca de um importador no Brasil. A empresa exporta para 15 países diferentes, e está muito otimista em relação ao País. “O Brasil pode ser um mercado importante para a marca. Dá mais gosto vender aqui, por causa da ligação histórica com Portugal”, afirma Ribeiro.

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Além da empolgação com o mercado brasileiro, o que todos esses empresários têm em comum é a indignação em relação às dificuldades impostas pelo governo brasileiro para a importação de vinhos. “Para outros países, eu envio uma amostra por uma transportadora e o cliente recebe sem problemas. Aqui, fica retido pela Receita Federal”, diz Lopes. “Não deve ser um ganho tão grande para o governo. Quem perde é o consumidor”, acrescenta.

José João calcula que os impostos representam um acréscimo de 83% no preço dos vinhos para o consumidor. Já Kiria decreta que o Brasil tem o maior imposto do mundo. “É muito protecionista”, diz. Mas nem isso a desanima desse mercado: “É só saber trabalhar com uma margem de lucro que não seja abusiva, porque é mais interessante ganhar no volume”, diz.