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Depois de subir 27,7% no ano passado, os preços diminuíram o ritmo e avançaram 8,6% no primeiro semestre de 2011

Dados do mercado imobiliário divulgados hoje mostraram que os preços dos imóveis residenciais novos na capital paulista chegaram perto do pico e tendem a avançar mais lentamente daqui para frente. Depois de subir 27,7% no ano passado, os preços diminuíram o ritmo e avançaram 8,6% no primeiro semestre de 2011, conforme levantamento divulgado pelo Secovi-SP, o sindicato da habitação paulista.

A expectativa da entidade é que a curva de preços acompanhe mais de perto a trajetória do Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), que apontou alta de 5,6% nos seis primeiros meses do ano, ou do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), cujo avanço no período foi de 3,9%.

Diretores do Secovi afirmaram hoje que os preços já bateram ou estão perto de atingir o teto em algumas regiões, de forma que o mercado começa a se acomodar. Um dos indicadores que mostram moderação no apetite do consumidor é a desaceleração na velocidade de venda dos empreendimentos.

No primeiro semestre, as construtoras venderam 13,2% do estoque de imóveis ofertados, abaixo tanto dos 21,6% do mesmo período de 2010 quanto da média dos últimos cinco anos, de 16,6%. Para Celso Petrucci, economista-chefe do Secovi-SP, o setor não deverá assistir tão cedo à repetição da forte valorização de preços vista entre 2009 e 2010.

"Acredito que a curva será menos acelerada", disse. Assim, as construtoras terão pela frente um cenário mais desafiador, no qual seus custos poderão avançar mais rapidamente do que os preços dos imóveis cobrados aos clientes.

Para Petrucci, uma consequência disso é a maior concentração de lançamentos em regiões onde as margens de rentabilidade são maiores. O executivo descartou a formação de uma bolha imobiliária, argumentando que o encarecimento dos imóveis nos últimos anos está relacionado à melhora de fundamentos econômicos, como o fortalecimento da renda.

"Houve uma recuperação de preço (dos imóveis) porque o país ficou mais rico", comentou Petrucci, acrescentando, que o preço dos imóveis no Brasil segue entre os mais baixos do mundo.

Reagindo a medidas do governo para frear o crédito ao consumo e, com isso, controlar a inflação, as vendas de imóveis na cidade de São Paulo caíram 31,3% no primeiro semestre, chegando a 11,68 mil unidades residenciais.

Somente em junho, foram vendidas 2,72 mil unidades abaixo das 3,36 mil imóveis registrados no mesmo período do ano passado.