Tamanho do texto

Companhia, que é dona da Americanas.com e do Submarino, possuía 57% do varejo online em 2007, mas perdeu o fôlego

Brasileiros devem gastar R$ 23,4 bilhões em lojas online em 2012
Thinkstock/Getty Images
Brasileiros devem gastar R$ 23,4 bilhões em lojas online em 2012
Foram poucas as empresas que viram sua participação de mercado encolher na mesma velocidade da B2W, dona da Americanas.com e do Submarino e pioneira no comércio eletrônico no Brasil.

Leia também: Procon-SP manda suspender vendas do Americanas.com e do Submarino

Em 2007, as vendas pela internet movimentaram R$ 6,3 bilhões no Brasil. Em 2011, os brasileiros gastaram R$ 18,7 bilhões nas lojas online, cifra quase três vezes maior, segundo informações divulgadas na terça-feira pelo e-bit, empresa de consultoria do grupo Buscapé.

Em 2007, a B2W faturou R$ 3,6 bilhões, respondendo sozinha por 57% de tudo que foi vendido pela internet naquele ano. No ano passado, sua receita bruta totalizou de R$ 4,7 bilhões, equivalente, portanto, a apenas 25% do total movimentado pelos sites brasileiros, de acordo com as demonstrações financeiras publicadas pela companhia.

Apesar ser ainda ser líder na internet, a B2W vem perdendo o fôlego. Enquanto as vendas online aumentaram 26% no ano passado no País, segundo o e-bit, a empresa cresceu somente 4%.

Leia também : Consumo pela internet deve crescer 25% e movimentar R$ 23,4 bi em 2012

Segundo Pedro Guasti, diretor do e-bit, é natural que as empresas inovadoras e pioneiras, como foi a B2W para o varejo online, percam participação de mercado com o passar dos anos, após a entrada de novos concorrentes. Mas o golpe foi especialmente duro para a B2W. A concorrência prejudicou de forma implacável a empresa, que também perdeu nos últimos anos executivos para a Nova Pontocom, controlada pelo Grupo Pão de Açúcar e dona das pontocom do Extra, Ponto Frio e Casas Bahia.

Leia também : Quarteto de executivos cariocas agita a Nova Pontocom

Nos Estados Unidos, por exemplo, a Amazon conseguiu consolidar-se e manter sua liderança no varejo online, apesar de também ter sido pioneira, lembra Guasti.

Leia também : Disputa entre Amazon e Walmart agita o varejo online no Brasil

Quem tirou mercado da B2W?

Na avaliação do diretor do e-bit, a empresa perdeu clientes tanto para as 50 grandes operações de internet, como Grupo Pão de Açúcar e Walmart, chamadas de “top 50”, quanto para os sites menores, que estão conseguindo atrair e roubar clientes, apesar de serem menos conhecidos.

As “top 50” responderam no último trimestre de 2011 por 87,7% das vendas online, enquanto, em igual período de 2010, elas controlavam 89,3% do mercado. Um ponto percentual pode não parecer muito, mas correspondeu a faturamento de quase R$ 200 milhões no ano passado, que foi perdido para a concorrência.

Os sites menores, chamados de “long tail” (a cauda longa nos gráficos), elevaram sua participação nas vendas totais de 10,7% no último trimestre de 2010 para 12,3% em igual período de 2011.

Mas essa ascensão das lojas virtuais menores não é suficiente para explicar a perda de participação de mercado da B2W, indicando que a empresa também perdeu mercado para os grandes sites, diz Guasti.

Brasileiros já gastam menos por compra

A competição no comércio eletrônico só tende a se acirrar daqui para frente. Ainda é esperado que o varejo online cresça outros 25% no Brasil em 2012, alcançando R$ 23,4 bilhões. Mas essa taxa de crescimento deve perder força daqui a dois anos. Até 2010, o comércio eletrônico se expandia a taxas de 40% ao ano.

Os consumidores também devem gastar cada vez menos por compra na internet, com a maior diversidade de produtos e serviços oferecidos pelos sites. O e-bit prevê que, neste ano, o valor desembolsado caia de R$ 350 para R$ 340 no Brasil. Nos Estados Unidos, os internautas já gastam US$ 120 (R$ 215) por aquisição. Nos sites de compras coletivas, que oferecem pechinchas, os brasileiros já desembolsaram bem menos que nos sites convencionais: R$ 78 no ano passado.

Enquanto o tíquete médio tende a ser menor, as dificuldades enfrentadas com a entrega das mercadorias tendem ser cada vez mais complexas para empresas pontocom, exigindo investimentos em logística. Se as grandes lojas virtuais não conseguirem garantir a satisfação de seus clientes, continuarão vendo seus consumidores migrarem para outros sites.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.