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O Grupo Pão de Açúcar concordou em colocar quase R$ 1 bilhão na nova Casas Bahia, segundo fontes ligadas à família Klein. O objetivo é ajustar a equivalência patrimonial.

O Grupo Pão de Açúcar concordou em colocar quase R$ 1 bilhão na nova Casas Bahia, segundo fontes ligadas à família Klein. O objetivo é ajustar a equivalência patrimonial. Quando o contrato começou a ser rediscutido, há cerca de dois meses, a família Klein, controladora das Casas Bahia, alegava que seus ativos foram subavaliados em pelo menos R$ 2 bilhões e queria acertar essa diferença. As negociações avançaram em pontos importantes, mas ainda podem levar pelo menos mais duas semanas para serem concluídas. Procurado, o Pão de Açúcar não comentou essas informações. Ontem, porém, durante a teleconferência de divulgação de resultados do grupo, o presidente do conselho de administração, Abilio Diniz, falou pela primeira vez sobre o assunto. Disse que os principais pontos do acordo de associação com as Casas Bahia já foram solucionados. "Nos pontos mais relevantes, acho eu, nós já chegamos a um acordo. E vamos conseguir superar todas as divergências." Segundo o Estado apurou, existe, ainda, a possibilidade de os Klein receberem entre R$ 100 milhões e R$ 200 milhões em recebíveis (compromisso de pagamento futuro). Esse dinheiro, ao contrário do outro (de quase R$ 1 bilhão), iria para o bolso da família Klein. Um novo acordo de acionistas também já foi acertado. Ele prevê que o poder será compartilhado e que os Klein terão direito a veto nas decisões, segundo essas fontes. Desde o começo, a família se mostrava insatisfeita com a estrutura de poder criada na nova companhia. Os Klein ganharam a presidência da nova companhia, mas tinham de submeter suas decisões a Abilio Diniz. Bolsa. Outro ponto relevante em discussão era a saída dos Klein do negócio. Quando a associação com o Pão de Açúcar foi anunciada, em dezembro passado, a forma como a venda das ações ocorreria não ficou clara e nem registrada em contrato. A família, agora, pode ter a possibilidade de vender sua participação pela Bovespa, onde as ações da Globex (união de Ponto Frio, Eletro e Casas Bahia) são negociadas. Pelo acordo original, eles poderiam começar a vender suas ações entre 12 e 48 meses após a fusão. Esse processo aconteceria gradativamente até a fusão completar três anos. A partir desse prazo, os Klein poderiam vender 100% das suas ações O problema é que as ações da Globex são pouco líquidas, o que dificultaria uma eventual venda no mercado de capitais. Hoje, apenas 5% dos papéis são negociados. Para resolver esse nó, está prevista uma nova oferta de ações em três anos. "Será dinheiro suficiente para permitir essa saída", diz uma fonte ligada ao negócio. Pessoas próximas aos Klein dizem que a questão não era sair antes, mas ter a possibilidade de venda pela Bolsa. Ontem, Diniz se mostrou otimista com a evolução das conversas. Há um mês, as negociações tornaram-se mais tensas, com a entrada em cena do fundador das Casas Bahia, Samuel Klein. Em mais de uma reunião os Klein ameaçaram romper o contrato e desistir da fusão. Foi por isso que o Pão de Açúcar aceitou rediscutir. Em 13 de abril, o grupo esclareceu, em fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que o acordo original estava sendo revisto. Na conversa com analistas, Diniz destacou que a companhia vem trabalhando "em silêncio" para obter uma "solução negociada" com a família Klein. "Estamos mexendo profundamente no contrato, sem deixar dúvidas para a frente. Quem contrata bem, não briga", disse. Segundo ele, neste momento da renegociação, o que mais vem tomando tempo são pontos considerados menos relevantes dentro do contrato. "Estamos detalhando todos os pontos, para pensar bem, se isso é o que se imagina (do contrato)".

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