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Rede controlada por Marcos Amaro, filho caçula de Rolim, prevê chegar a 420 lojas este ano e já disputa liderança do setor

Marcos Amaro, filho caçula de Rolim Amaro, fundador da TAM
AE
Marcos Amaro, filho caçula de Rolim Amaro, fundador da TAM
Filho caçula do comandante Rolim Amaro, dono da TAM Linhas Aéreas morto em um acidente de helicóptero em 2001, Marcos Amaro conquistou seu espaço no mercado de óticas.

Com 335 unidades, a Óticas Carol já possui quase o triplo de lojas da Fototica, uma das redes mais tradicionais de São Paulo, e disputa a liderança do setor no Brasil com a Óticas Diniz, do Nordeste, e a New Ótica, do Rio de Janeiro. A Carol foi comprada em 2008 pelo herdeiro da TAM, que tinha na época  apenas 23 anos.

Nas próximas semanas, a Carol lança uma linha masculina de óculos com a marca Audi, licenciada pela montadora alemã e desenvolvida em parceria com um escritório de design de Vicenza, na Itália.

Segundo Ronaldo Pereira, executivo contratado por Amaro para comandar a Óticas Carol, o aspecto tecnológico será um dos pilares da nova marca de óculos, acompanhando o “DNA” da marca de carros. A linha terá armações feitas de materiais como titânio, magnésio e fibra de carbono, com um design esportivo e clássico.

Uma das apostas da rede são as marcas exclusivas, que respondem por cerca de 20% das vendas.

Com um ritmo acelerado de expansão, baseado no sistema de franquias, a Carol pode ser a primeira rede do setor no País a alcançar a marca de 1 mil lojas. A meta é atingir esse número dentro de quatro anos. Trinta novas unidades já estão em obras e a empresa espera chegar a 420 filiais até o fim de 2011.

Quando Amaro comprou a Carol, pela qual pagou R$ 40 milhões após receber uma parte da herança da TAM, a rede faturava R$ 160 milhões e possuía cerca de 200 lojas, basicamente concentradas no interior de São Paulo. A empresa foi fundada em Sorocaba, em 1997.

Saída da TAM

Amaro decidiu, depois da morte de seu pai, sair da TAM por enfrentar divergências com os seus meio-irmãos. Filho de um relacionamento do fundador da companhia com Sandra Senamo, o empresário herdou 15% da aérea.

Segundo Pereira, a Carol deve faturar R$ 240 milhões neste ano, cifra 22% maior que a obtida em 2010. Se incluída a receita com serviços de laboratório, as vendas do grupo deverão crescer de R$ 210 milhões em 2010 para R$ 270 milhões.

Hoje, somente na região da Grande São Paulo e Baixada Santista, a Carol já possui 142 lojas, ou mais unidades que toda a Fototica, que detém  120 filiais no País. A varejista também vem empreendendo um plano de expansão para as demais regiões.

“A cada ano, elegemos dois estados prioritários para expansão. Neste ano, foram Bahia e Minas Gerais. Em 2012, serão Rio Grande do Sul e Espírito Santo”, diz Pereira.

Ronaldo Pereira, presidente da Óticas Carol: faturamento de R$ 240 milhões em 2011
Greg Salibian
Ronaldo Pereira, presidente da Óticas Carol: faturamento de R$ 240 milhões em 2011
A varejista decidiu aderir completamente ao sistema de franquia e hoje só possui uma dezena de lojas próprias. Mas essas unidades entram muito mais na conta de gastos com marketing e desenvolvimento que na linha de lucro. Normalmente, são lojas caras, com um retorno financeiro menor do que as demais unidades.

“Não dá para abraçar os dois modelos de negócio ao mesmo tempo, de lojas próprias e franquias. Sempre haverá um conflito de interesses entre a franqueadora e o franqueado”, afirma Pereira.

Muitos dos novos franqueados, cerca de 60% deles, são proprietários de óticas independentes, que preferem aderir ao modelo e à marca da Carol.

“O setor de óticas no Brasil ainda é dominado por pequenos comerciantes e pelo varejo informal. Existe muito espaço para o avanço de redes no País”, diz Pereira.

Além do processo de formalização do varejo de óculos, o Brasil apresenta dois indicadores que tornam as perspectivas para o setor positivas: o envelhecimento da população e a melhoria da renda. Estima-se que 70% da população que precise de óculos ainda não use o produto, em parte pela dificuldade de acesso a oftalmologistas.

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