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Maior fabricante de bicicletas voltou a ter lucro após muitos anos de prejuízos; vendas devem crescer 15% este ano e 25% em 2011

Eduardo Musa, presidente da Caloi: lucro depois de vários anos
Dilvulgação
Eduardo Musa, presidente da Caloi: lucro depois de vários anos
“Preparem-se. Vocês ainda terão de andar de bicicleta, seja por opção, por obrigação ou por imposição”. A frase, repetida algumas vezes, é a predileta de Eduardo Musa, presidente da Caloi, de 43 anos, e ele mesmo um ciclista convicto, que costuma viajar de férias em cima de duas rodas.

O mercado está passando, segundo ele, por uma transformação em todo o mundo. O trânsito caótico nas grandes cidades e os temores com o aquecimento global deram à bicicleta uma dimensão econômica que ela nunca teve.

A bicicleta passou a ser vista como uma solução para o transporte urbano nas grandes cidades dos países ricos e já se transformou em uma causa para os ativistas ambientais, que cobram dos governos a construção de mais ciclovias e infraestrutura.

Na Europa, as vendas de bicicletas cresceram 60% entre 1999 e 2009, interrompendo um ciclo de estagnação.

Passado problemático

“Deixem o passado para trás. A história agora é outra”, afirma Musa. No caso da Caloi, em particular, o passado não traz boas lembranças, apesar de a marca, que possui mais de 110 anos, ser ainda bastante forte entre os brasileiros.

Musa estima que existam hoje 20 milhões de Calois circulando pelo País – o modelo Caloi 10 marcou uma geração e o slogan “Não esqueça a minha Caloi” é ate hoje lembrado.

A maior fabricante de bicicletas do País foi comprada em 1999 pelo pai de Eduardo, Edson Vaz Musa, um ex-presidente da Rhodia no Brasil e que havia sido chamado pela família Caloi para fazer a reestruturação da empresas, que passava por dificuldades financeiras.

Ao longo dos últimos vinte anos, a Caloi sobreviveu às duras penas, sem conseguir competir com o “mercado cinza”, a montagem de bicicletas feitas em pequenas oficinas. Seus maiores concorrentes locais, a Monark e a Sundown, já não estão mais no mercado.

Preços médios dobraram

Mas, a partir do ano passado, a Caloi começou a ver a cor do dinheiro – o que, espera Musa, é apenas o início de um novo ciclo . Com o crescimento da renda, os preços médios das bicicletas de entrada, ou os dos modelos mais baratos, dobraram no Brasil desde 2006, o que tirou a Caloi do limbo. A empresa, explica, manteve seus preços, que estão, alguns deles, nos mesmos patamares há vários anos.

Musa prevê fechar neste ano com um crescimento de 15% nas vendas e um lucro líquido de R$ 10 milhões, 40% maior que o obtido em 2009, de R$ 7 milhões.

O faturamento da empresa, que foi de R$ 195 milhões em 2009, deve chegar a R$ 220 milhões neste ano. E a sua geração de caixa deve crescer de R$ 20 milhões no ano passado para R$ 30 milhões em 2010, pelo critério de lucro antes do pagamento dos juros, impostos, amortização e depreciação (lajida).

Musa espera crescer mais 25% em 2011, quando planeja alcançar a marca de 1 milhão de bicicletas produzidas. A Caloi vai investir R$ 30 milhões em modernização e outros R$ 10 milhões em campanhas de marketing, com um forte foco na internet.

Novos modelos

Caloi 100, novo modelo custará R$ 499
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Caloi 100, novo modelo custará R$ 499
A Caloi está ampliando a linha de bicicletas para uso nas cidades, chamada Mobilité. O modelo Caloi City custa R$ 599,00, enquanto a nova Caloi 100, 21 marchas, sairá por R$ 499,00.

Renata Falzoni

A fabricante também lançou um modelo assinado pela ciclista Renata Falzoni, que custará R$ 1.599,00. Segundo Renata, a roda maior, com aro 700, permite mais conforto na direção, e a suspensão frontal reduz o impacto sobre o asfalto.  


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