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Com o aumento, metro quadrado no bairro será o terceiro mais caro no Rio

Favela da Rocinha vista do alto com os prédios da orla da praia de São Conrado ao fundo
Agência Estado
Favela da Rocinha vista do alto com os prédios da orla da praia de São Conrado ao fundo
O bairro de São Conrado, na zona sul do Rio de Janeiro, vai passar por uma valorização imobiliária nos próximos meses com a ocupação policial da Rocinha , favela vizinha. A previsão é de entidades ligadas ao setor, que estimam uma elevação de até 40% nos valores dos imóveis da região.

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“Os preços já vinham subindo lentamente no bairro por conta da possível ocupação. Agora, com a operação policial realizada, a velocidade vai ser maior e não atingirá apenas São Conrado, mas também as casas localizadas no Alto da Gávea e na Avenida Niemeyer”, avalia Leonardo Schneider, vice-presidente do Secovi Rio.

Segundo o Secovi Rio, entre dezembro de 2010 e novembro de 2011, o valor do metro quadrado em São Conrado sofreu um reajuste de 50,8%, chegando aos atuais R$ 10,2 mil. Com os 40% de valorização, o preço deve atingir R$ 14,2 mil, tornando-se o terceiro mais caro do Rio.

Para efeito de comparação, o metro quadrado no Leblon e em Ipanema , que lideram o ranking, custa atualmente R$ 16,2 mil e 15,3 mil, respectivamente. “A orla de São Conrado já foi a mais valorizada do Rio nos anos 80. Agora, ela será a terceira mais cara da cidade”, prevê Schneider.

Prazo de estabilização

Para os especialistas, a valorização imobiliária no entorno da Favela da Rocinha deve ter início entre seis e dez meses. De acordo com Pedro Carsalade, presidente da Associação Brasileira das Administradoras de Imóveis (Abadi), esse prazo é necessário para a estabilização do novo cenário.

Ele ressalta que o aumento de valores quase imediato ocorrido em Botafogo após a implantação da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Morro Santa Marta, a primeira do Rio, há três anos, foi atípico. "Em Botafogo, a valorização (em alguns casos de 100%) foi rápida. Mas o Dona Marta é muito menor (tem um décimo da população da Rocinha) e há o batalhão da Polícia Militar quase em frente”, diz.

“Dentro da Rocinha, já ocorreu uma valorização de 50% nas casas em três dias. Mas ao redor, as pessoas têm mais discernimento e a valorização não acontece imediatamente”, complementa Schneider. Ele relembra que na Tijuca, bairro da zona norte da capital fluminense que também conta com UPPs, a valorização de 40% nos imóveis aconteceu aproximadamente dez meses após a ocupação policial das favelas do bairro.

* com informações da Agência Estado