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Com injeção de recursos, loja virtual de artigos esportivos se fortalece para o mundial; site é o primeiro a ter plataforma da ATG

A entrada do fundo de investimento Tiger Global no capital da Netshoes, maior loja virtual de artigos esportivos, é mais um sinal da nova fase do comércio eletrônico no Brasil, onde negócios locais estão se transformando em minas de ouro. Fundada há dez anos por Márcio Kumruian, hoje com 36 anos, a Netshoes não revela o valor pago pelo fundo americano, que adquiriu uma participação minoritária.

Em número de visitas, a Netshoes já é a terceira maior operação de comércio eletrônico do Brasil, atrás apenas da Americanas e do Submarino, que pertencem à B2W, segundo a empresa Comscore.

Nova página da Netshoes para mulheres
Divulgação
Nova página da Netshoes para mulheres
Fontes consultadas pelo iG avaliam que a loja virtual de artigos esportivos deve valer mais que o BuscaPé, portal de busca de ofertas fundado por quatro universitários em 1999, um ano antes da criação da Netshoes. O controle do BuscaPé foi comprado pelo fundo sul-africano Napster por US$ 342 milhões em setembro de 2009.

A Tiger Global é um fundo de investimentos com sede em Nova York com foco em empresas de internet. Recentemente, o fundo pagou US$ 20 milhões por 1% do capital Linkedin, uma rede social de contatos profissionais.

A Netshoes reúne todos os ingredientes mais promissores para os investidores. O primeiro deles é que a demanda por artigos esportivos tende a apresentar fortes taxas de crescimento com a realização no Brasil da Copa do Mundo, em 2014, e a Olímpia, em 2016.

O varejo é também um dos setores mais favorecidos pelo crescimento econômico do País e pelo aumento da renda das classes de menor aquisitivo. E o comércio online, em particular, deve agora atingir uma grande escala de vendas com o maior facilidade de acesso da classe C, que já se transformou no maior público na internet.

Copa do Mundo

Segundo o diretor de Marketing da Netshoes, Roni da Cunha Bueno, a empresa já está se preparando para a Copa de 2014. “Temos um plano bem traçado de crescimento”, diz o executivo. Os brasileiros já são fanáticos por futebol e, com a realização da Copa, as vendas de artigos relacionados ao esporte devem aumentar ainda mais.

O poder de um mundial de futebol sobre o consumo já pôde ser medido neste ano, quando a Netshoes deve crescer 15% acima do comércio eletrônico de forma geral, que mostra taxas de expansão de 40%.

Páginas para homens e mulheres

A loja virtual acaba de realizar um alto investimento na aquisição de uma nova plataforma de comércio eletrônico, cujo ponto forte é a maior interação com os consumidores. A plataforma foi comprada da americana Art Tecnolgy Group (ATG), empresa que foi adquirida por US$ 1 bilhão pela Oracle há poucos dias.

Página da Netshoes para o público masculino
Divulgação
Página da Netshoes para o público masculino
A ATG fornece tecnologia de comércio eletrônico para grandes varejistas americanas, como a Best Buy, e a Netshoes será a primeira pontocom a usar a plataforma da empresa no Brasil e na América Latina, diz Bueno.

Uma das possibilibilidades oferecidas pela ATG, por exemplo, é a configuração de páginas diferentes para distintos públicos. A Netshoes já exibe hoje uma página para mulheres e outra para homens.

Fundos buscam aquisições

Na avaliação de Marcela Ejnisman, sócia do escritório de advocaciaTozziniFreire para a área de fusões e aquisições e especialista em internet, há ainda uma grande espaço para o mercado online no Brasil, onde as empresas estão agora mais fortalecidas.

“E os fundos de private equity têm demonstrado um forte interesse em investir em empresas de internet, seja de comércio eletrônico ou de serviços”, afirma a advogada, que tem recebido consultas de potenciais investidores.

Mas, hoje, o mercado é bem mais seletivo do que era durante a bolha da internet, há dez anos, quando os investidores estavam dispostos a pagar uma fortuna por qualquer ideia . “A empresa precisa ter um plano de negócios bem definido, precisa mostrar um diferencial”, diz Marcela.

Os investidores também estão cada vez mais atentos a aspectos específicos da internet ao fechar aquisições. Questões envolvendo privacidade dos usuários, direitos autorais e a comprovação da origem do conteúdo exibido ganharam uma maior importância jurídica e precisam ser levadas em consideração na formulação dos contratos.

Concorrência

Outras varejistas também estão reforçando sua estrutura para a Copa. A rede de artigos esportivos Centauro, por exemplo, contratou um novo executivo para o comércio eletrônico, Fábio Bonfá. E a Máquina de Vendas, fusão entre as redes de eletrônicos Ricardo Eletro e Insinuante, decidiu apostar em produtos esportivos em sua pontocom em antecipação ao mundial, afirma Marcelo Ribeiro, diretor de comércio eletrônico da varejista.