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Fundo Knight Vinke é dono de 1,5% do Carrefour e conseguiu mobilizar acionistas para impedir venda do braço imobiliário do grupo

Loja do Carrefour, na França: Interesse do acionista em recuperar operações
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Loja do Carrefour, na França: Interesse do acionista em recuperar operações
Os desentendimentos entre Abilio Diniz e o grupo francês Casino, sócios da rede Pão de Açúcar, não devem ser o único entrave para a fusão da varejista com a operação brasileira do Carrefour.

Na outra ponta, acionistas minoritários do Carrefour já manifestaram um descontentamento em relação ao negócio e defendem um foco maior à operação na Europa.

As críticas partem do fundo Knight Vinke, dono de 1,5% das ações do Carrefour, o mesmo que recentemente conseguiu impedir a venda da Carrefour Property, o braço imobiliário da empresa.

Procurado pelo iG , o fundo respondeu por e-mail que não iria se manifestar sobre o acordo de fusão proposto entre o Grupo Pão de Açúcar e o Carrefour, em São Paulo.

Se o acordo for concretizado, o Novo Pão de Açúcar, a nova empresa que seria constituída no Brasil, passaria a ser o maior acionista do Carrefour na França, com 11,7% das ações da multinacional, a  maior varejista da Europa.

O Carrefour é uma companhia com capital pulverizado, o que facilita a mobilização de minoritários para tentar influenciar a gestão da empresa. Recentemente, eles começaram a enfrentar a resistência desses acionistas na gestão do Carrefour.

Logo que os rumores da fusão ganharam força, o fundo Knight Vinke enviou uma carta ao conselho de administração do Carrefour pedindo explicações. “A venda de atividades não europeias do Carrefour uma por uma e de uma maneira isolada não parece ser uma boa solução”, afirmou o fundo na correspondência divulgada em 31 de maio.

O fundo afirmou também que qualquer grande negociação será uma “distração adicional para a gestão do Carrefour em um momento particularmente ruim”.

Em entrevista à Veja, a gestora de ativos disse que já conversou com acionistas minoritários e eles estão de acordo que a fusão com o Pão de Açúcar é inadequada neste momento. O Knight Vinke tem defendido uma administração da varejista focada na sua reestruturação na França, principalmente na área de hipermercados.

Os brasileiros contam com um trunfo na manga para convencer os acionistas do Carrefour na França de que a joint venture no Brasil com o Grupo Pão de Açúcar será um bom negócio. A ideia é mostrar que Carrefour passará a ter como o seu maior acionista na França uma empresa de varejo, com foco operacional e estratégico. Com o acordo, o Carrefour também não sai do Brasil, passando a deter 50% de uma varejista ainda maior no País.

Um acordo desse tipo, por exemplo, não seria possível com o Walmart.

Atualmente, os maiores acionistas do Carrefour são dois financistas: Bernard Arnault, o homem mais rico da França e dono do grupo Louis Vuitton (LVHM), e o fundo americano Colony, cujo forte são operações no mercado imobiliário.

Acionista ativista

O Knight Vinke é conhecido por ser um acionista ativista, ou seja, um fundo especializado em comprar participações minoritárias de empresas e tentar influenciar sua estratégia de gestão. O fundo começou a adquirir papeis do Carrefour há cerca de um ano e pediu uma cadeira no conselho de administração em dezembro de 2010.

O pedido foi negado, mas o fundo continua a tentar interferir nas decisões da companhia e a bater de frente com os controladores. Há cerca de três meses, a equipe do Knight Vinke diz ter percorrido oito cidades da Europa e dos Estados Unidos para se reunir com 45 acionistas do Carrefour. A intenção do fundo foi pedir que eles votassem contra a venda do Carrefour Property, proposta por Bernard Arnault e pelo Colony.

O fundo disse, em carta ao conselho do Carrefour, que convenceu um grupo dono de uma soma de 20% do capital da empresa a votar contra proposta. Assim, eles conseguiram retirar a venda da unidade imobiliária da pauta da última assembleia de acionistas, realizada em 21 de junho.

O mercado aguarda, agora, um posicionamento oficial do Knight Vinke sobre o negócio.

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