Tamanho do texto

Rede do bilionário Jorge Paulo Lemann provou que vender de tudo um pouco agrada os brasileiros. Com maus resultado na internet, ações despencam

Fachada das Lojas Americanas do Shopping Iguatemi, na cidade de São Paulo. Rede resiste no empreendimento de luxo.
AE
Fachada das Lojas Americanas do Shopping Iguatemi, na cidade de São Paulo. Rede resiste no empreendimento de luxo.
A Lojas Americanas, rede controlada pelo bilionário Jorge Paulo Lemann, o segundo homem mais rico do Brasil no ranking da revista Forbes, vai acelerar sua expansão e é bem possível que a varejista alcance a marca de 700 lojas no País em 2012.

Nesta sexta-feira, a empresa anunciou que já negocia a contratação de 70 novos pontos de venda no País, notícia que foi bem recebida pelos analistas de investimentos.

No entanto, os maus resultados com o braço de internet, a B2W, donas dos sites Americanas.com e Submarino.com , fizeram que as ações da companhia despencassem nesta sexta-feira. Os papéis da Americanas (LAME4) fecharam em baixa de 4,4%, enquanto as ações da B2W (BTOW3) caíram 5,6%, figurando entre as maiores baixas do Ibovespa. A Lojas  Americanas é a controladora da B2W.

Leia também:

Lucro da Lojas Americanas cresce para R$ 180 milhões no 4º tri

B2W fecha 4º tri com prejuízo duas vezes maior

O modelo de negócio da Lojas Americanas é tido como controverso por alguns especialistas em varejo, ao misturar vários itens de baixo valor unitário, como bombons, calcinhas e liquidificadores, em lojas relativamente apertadas.

Uma corrente de consultores acredita que essas lojas que vendem de tudo um pouco, como a Americanas ou a Pernambucanas, são coisa do passado e que o futuro do varejo está na segmentação.

Mas os gestores da Lojas Americanas conseguiram provar que essa nova versão dos antigos bazares, rebatizados de lojas de conveniência, ainda agrada os consumidores no Brasil, especialmente da classe C, que não têm muito dinheiro para gastar em compras volumosas e compram “picado”. A rede é, por exemplo, a maior vendedora de ovos de Páscoa do País, que já estão à venda em suas unidades.

Nos últimos dez anos, a Lojas Americanas apresenta uma expansão de quase 500%. Seu número de lojas saltou de 105 unidades em 2002 para 621 pontos de venda em 2011.

Fachada de uma loja da Americanas
AE
Fachada de uma loja da Americanas
No ano passado, a varejista registrou vendas líquidas de R$ 10,2 bilhões, com um crescimento de 8,7% em relação a 2010. Desde 2005, quando a receita líquida foi de R$ 2,7 bilhões, as vendas da companhia aumentaram 277%.

Enquanto a varejista, que foi pioneira no varejo pela internet, enfrenta dificuldades com seu braço de comércio eletrônico, são as suas lojas físicas que vêm garantindo bons resultados.

Leia também: B2W fecha 4º tri com prejuízo duas vezes maior  

Fundada em 1929, a Lojas Americanas foi adquirida em 1982 pelos sócios, naquela época, do Banco Garantia, o trio de empresário Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira.

Leia também: Forbes acrescenta 12 novos brasileiros à lista dos bilionários

Ao investir na Americanas, Lemann teria se inspirado em  Sam Walton, o legendário fundador da varejista Wal-Mart, morto em 1992, e considerado uma das personalidades mais influentes no mundo empresarial americano, segundo relatos.

O trio é também dono da AB Inbev, controladora da AmBev. 

Leia também: AB InBev avança em negociações com cervejaria chinesa

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.