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Banco ressalta que "fusão exigiria ainda mais de uma administração já focada na integração da Globex e Casas Bahia"

A proposta de fusão das operações no Brasil do Carrefour e do Pão de Açúcar desperta o ceticismo do HSBC. Em relatório escrito por Francisco J. Chevez e Manisha Chaudhry, o banco demonstra preocupação com a posição do Casino, maior acionista da Companhia Brasileira de Distribuição. Até este momento, a rede francesa tem mostrado descontentamento público diante da condução do processo por Abilio Diniz e já iniciou, inclusive, um processo de arbitragem contra o empresário.

Nesta quarta-feira, a empresa afirmou, em anúncio publicado em grandes jornais brasileiros, que Diniz ignora deliberadamente a ética comercial e age de forma ilegal ao tentar uma fusão com o Carrefour. "A batalha legal pode levar vários meses para ser resolvida e, salvo se o acordo for rompido, acreditamos que essa fusão provavelmente não ocorrerá, pois o Casino é contra essa estrutura", comenta o HSBC.

Com a fusão, a instituição enxerga fatores positivos para o Carrefour, por avaliar que a transação pode ajudar a resolver os problemas da empresa no Brasil após os escândalos contábeis do ano passado, e trazer mais estabilidade a sua estrutura acionária. "Entretanto, apesar do histórico muito forte da administração anterior do GPA, não acreditamos que isso ajudaria a reacender as vendas do Carrefour na França", observa o HSBC.

Já a situação vista pelo banco para o Casino é negativa, pois diluiria sua participação acionária no Grupo Pão de Açúcar e coloria em dúvida seu direito de assumir o controle total a partir de junho de 2012, conforme acordado anteriormente.

Por fim, no caso do Pão de Açúcar, o HSBC vê incertezas aos acionistas, já que eles trocariam suas participações diretas no grupo brasileiro por uma participação de 50% na nova entidade e uma participação de 11,7% no grupo Carrefour. "Adicionalmente, a fusão exigiria ainda mais de uma administração já focada na integração da Globex e Casas Bahia."

Os principais problemas da fusão apontados pelo HSBC dizem respeito à aprovação dos acionistas, aos problemas antitruste e às sinergias das empresas "A Gama afirma que as sinergias atingidas pela combinação dos ativos do GPA e Carrefour no Brasil podem atingir 700 milhões de euros por ano. Isso representaria 2,3% da receita líquida, o que parece viável; contudo, o risco de execução é alto, considerando que o GPA está no processo de integração da Globex e Casas Bahia", frisa o banco.

O HSBC reitera a classificação de "overweight" (compra) para as ações do Pão de Açúcar, com preço-alvo de R$ 93. "Apesar disso, acreditamos que as ações podem apresentar forte volatilidade no médio prazo, pois os relatórios da imprensa discutem a possível fusão."

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