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Tradicionais marcas de lingerires, empresas abrem lojas próprias para disputar mercado com as redes de vestuário

Com Kate Moss, Valisere quer ficar mais sexy
Divulgação
Com Kate Moss, Valisere quer ficar mais sexy
A Valisere e Hope, duas tradicionais fabricantes brasileiras de lingeries, decidiram rejuvenescer seus modelos de negócio e querem se transformar agora na versão brasileira da Victoria’s Secret, rede de lojas americana que passou a ser um ícone no varejo de roupa íntima no mundo.

As contratações das tops Gisele Bundchen, pela Hope, e Kate Moss, pela Valisere, provam essa ambição. No caso de Gisele, a associação com a Victoria’s Secret é ainda mais evidente. A top desfilou nas passarelas da rede em Nova York, com as famosas asas de anjo da marca, até 2007.

As brasileiras são vistas como uma das mulheres mais quentes do mundo. Mas, em termos de negócios, o mercado de lingeries nunca foi lá muito sexy, tentador ou ousado. Não existe ainda nenhuma rede especializada no Brasil comparável ao que é a Victoria’s Secret para o mercado americano, seja em número de lojas, em participação de mercado ou estratégia de marketing.

"O primeiro sutiã, a gente nunca esquece"

A Valisere, por exemplo, assinou propagandas até hoje lembradas por muitos brasileiros, com os slogans “Seu eu fosse você, só usava Valisere” e “O primeiro sutiã, a gente nunca esquece”. Mas a marca admite que envelheceu ao longo dos últimos vinte anos. “Queremos voltar a ser o ícone que éramos nos anos 80”, afirma Genevieve Junqueira, gerente de marketing e novos negócios da Valisere.

Depois de abrir a primeira loja conceitual, na Rua Oscar Freire, em um dos endereços mais fashion de São Paulo, a Valisere começou neste ano a comercializar sua franquia. Já foram abertas lojas em Florianópolis e Belo Horizonte. "Planejamos chegar a 300 lojas em cinco anos", diz Genevieve.

Além de abrir lojas, a marca Valisere também foi completamente repaginada para refletir a nova consumidora  brasileira, que já não é mais a mesma dos anos 80. A marca agora possui quatro linhas diferentes: básico, fashion, romântico e sensual.

A fabricante de lingeries pertence ao grupo Rosset, que é dono também da marca de biquinis Cia. Marítima. Nunca antes, porém, a companhia havia se aventurado no varejo. "A Valisere é a nossa primeira experiência", diz Genevive. O projeto de lojas pode abrir as portas para outras marcas da Rosset, mas Genevieve não confirma nenhuma decisão nesse sentido, ainda. 

Concorrência com as redes de vestuário

Tanto a Valisere como a Hope começaram a perceber que, embora mantenham uma forte identidade em lingeries, são as grandes varejistas de vestuário, como Marisa, Renner e C&A, que vêm ocupando esse mercado no Brasil. A Marisa lançou uma rede exclusiva de roupa íntima, tamanho o crescimento do consumo no País.

A Associação Brasileira da Indústria têxtil (Abit) estima que o mercado de roupas íntima movimente R$ 4,5 bilhões por ano, com uma produção de 835 milhões de peças. Estima-se que o consumo crescerá 15% neste ano, ou o dobro da taxa de crescimento do PIB.

Hope quer abir 40 lojas por ano

Cansada de ver suas calcinhas e sutiãs expostos nas prateleiras das lojas multimarcas, sem o charme com que gostariam de mostrar os seus produtos, a Hope começou a desenvolver um modelo de lojas próprias, no sistema de franquias, há cerca de dois anos.

A Hope já deve chegar a esse ano a 52 lojas, das quais cinco ficam fora do País, três em Portugal e duas em Israel. Neste ano, a expansão da rede será de 70% em relação a 2009 e a empresa pretende manter esse mesmo ritmo frenético inaugurações.

“A nossa meta é crescer a uma taxa de 70%, 80%, com a abertura de 35 a 45 lojas por ano”, diz Carlos Eduardo Padula, diretor de comercial recém-contratado pela Hope.

A vinda de Padula reflete a estratégia da empresa de acelerar e fortalecer sua presença no varejo, considerado hoje o seu projeto mais importante. O executivo passou pela empresa de meias Puket, que também já desenvolveu um projeto de franquias.

Profissionalização

A profissionalização, por sua vez, também mostra a decisão do fundador da Hope, Nissim Hara, de modernizar não apenas a marca e sim a companhia como um todo. Suas quatro filhas, que hoje possuem cargos executivos na empresa, passarão para o conselho de administração. Esse modelo de gestão, em que os acionistas asumem uma função estratégica, sem tocar diretamente os negócios, garante mais transparência e melhora a governaça, na avaliação de consultores.


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