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Pesquisa do Ipea mostra que 19% dos internautas compram em sites

A maioria dos compradores da internet são homens ricos e com bom nível de instrução, de acordo com pesquisa sobre vendas on-line do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgada nesta quinta-feira. O estudo traça um perfil de quem compra e vende pela internet.

Os compradores são 19% dos internautas e vem, na maioria, da classe A. Esses consumidores endinheirado são responsáveis por 59% das compras. É mais do que os 51% que as classes B, C, D e E compram juntas.

A mesma comparação pode ser feita em relação à escolaridade. Enquanto 41% dos que têm curso superior já compraram pela internet, somente 18% das pessoas que estudaram até o ensino médio e 7% dos que completaram só o ensino fundamental já compraram pela internet. “Quanto maior a escolaridade e a classe econômica, maior a proporção de usuários de e-commerce”, explica o estudo, que afirma ainda que homens compram mais do que as mulheres na web.

Outro dado que reforça a ideia de que o nível econômico das famílias é decisivo para se tornarem compradores on line é que as pessoas que têm acesso a internet em casa ou no trabalho estão mais propensas a comprar do que aquelas que frequentam lan houses e telecentros.

As razões para que a internet seja mais atraente para as classes mais altas podem ser práticas, relacionadas à forma de pagamento, conforme sugere o estudo. “A chance de uma pessoa da classe D ou E possuir cartão de crédito é inferior a de uma pessoa que pertença à classe B ou A. Como a maioria dos pagamentos de compras on-line é feito via cartão de crédito isto pode ter alguma influência sobre este resultado.”

Para o pesquisador responsável pela pesquisa, Luiz Cláudio Kuboto, o crescimento do setor é limitado não só pelo fato de alguns compradores não terem o cartão de crédito, mas também pelo receio de colocar seus dados bancários em computadores compartilhados.

“O mais importante é a expansão da banda larga. Quem não tem computador em casa, não quer colocar dados do cartão em computadores de lan houses e deixa de comprar. Então se a política publica propiciar que usuários tenham acesso em casa ou na escola, o setor pode crescer muito”, afirma.

O estudo traz ainda uma análise sobre as pessoas que ainda não compram pela internet. Os resultados, considerados surpreendentes pelo pesquisador, revelam que os moradores da região Norte, seguidos dos do Nordeste são os mais propensos a se tornarem compradores on-line no país.

Oferta

A quantidade de empresas que ofertam produtos pela internet tem aumentado rapidamente nos últimos anos. Em cinco anos o número de empresas de venda pela internet cresceu 269%, passando de pouco mais de mil empresas em 2003 para 4.818 em 2008.

Apesar de rápido o crescimento, o setor ainda é pouco expressivo. Somente 0,4% das empresas varejistas brasileiras adotam comércio online e menos de 1% da receita das empresas varejistas que não vendem exclusivamente pela rede vem da internet. “É um percentual muito pequeno”, afirma Kuboto. “Ainda temos muito potencial para crescer”, completa. 

Falta de trabalhadores qualificados

O desenvolvimento desse potencial depende não só da inclusão digital dos consumidores, mas também da capacidade de expansão das empresas. O entrave dessa expansão é a falta de profissionais especializados em tecnologia da informação (TI). “É o grande gargalo e fator limitador do setor”, diz Kuboto.

Segundo ele, outros estudos do Ipea mostraram uma carência de aproximadamente 70 mil profissionais de TI no Brasil. “Para colocar no ar um site de vendas tem todo um trabalho de tecnologia de informação de tem que saber fazer diferenciação de preços, controle do estoque e de tempo de entrega. Mas hoje, o setor emprega mão de obra menos qualificada do que precisa porque falta pessoal de TI”.