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BNDES deve financiar parte dos investimentos públicos e flexibilização da Lei Rouanet pode atrair investidores privados

Museus das doze cidades-sede da Copa e seus arredores devem receber de R$ 600 milhões a R$ 1 bilhão de investimentos nos próximos três anos para atender turistas da Copa de 2014 e da Olimpíada de 2016. A maior parte do valor será paga pelo governo federal, mas estados e municípios devem ser autorizados a captar até R$ 400 milhões por meio de empréstimos no Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O plano de investimentos, que foi elaborado pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), propõe ainda um regulamento especial para empresas privadas que queiram investir nos museus dessas cidades por meio da Lei Rouanet. O regime deve valer também para a Petrobrás, que patrocinará algumas das ações museológicas.

“Haverá ritos especiais para acelerar os trâmites da lei. É um regulamento específico para quem patrocinar a qualificação dos museus para a Copa”, afirma o presidente do Ibram, José Nascimento Junior.

Veja fotos de museus que devem ser qualificados para a Copa:

O projeto já foi aprovado pela ministra da cultura Ana de Hollanda e aguarda o parecer da presidenta Dilma Rousseff, que deve ser positivo, de acordo com Nascimento. “A presidenta gosta do assunto, sempre acha tempo para visitar museus em viagens e tem sensibilidade grande para este tema”, diz Nascimento.

A ideia do presidente do Ibram é criar programações especiais para os dias dos eventos esportivos, capacitar e contratar funcionários bilíngues, desenvolver folhetos e áudio- guias em várias línguas, além de reforçar a segurança e a estrutura física dos museus.

As medidas são necessárias para atender uma demanda de visitantes que deve ser duas vezes maior do que a que os museus recebem normalmente. A média atual é de 27 mil pessoas por mês por museu, de acordo com dados do Instituto.

Por isso, o investimento “é tão estratégico quanto investir em mobilidade urbana ou aeroportos”, segundo Nascimento. “Uma boa infraestrutura cultural define a imagem do País para o turista, além de gerar muitos empregos indiretos. O guia turístico, a rede hoteleira, os artesãos e os restaurantes lucram também”, afirma.

Para ele, os investimentos impulsionados por jogos esportivos podem também reativar a economia de cidades próximas às cidades-sede. Elas devem ser visitadas por pessoas que vêm ao Brasil acompanhar os fãs de esporte.

Nascimento diz que uma pesquisa do Ministério do Turismo mostra que cada turista que viaja para assistir os jogos, vem acompanhado de pelo menos mais duas pessos interessadas em conhecer o país.

Projeto inspirado em museus da Espanha

O projeto brasileiro, chamado Legado Cultural para o Setor Museal, foi elaborado a partir de estudos sobre a experiência da Espanha, que sediou os Jogos Olímpicos em 1992.

“A Espanha teve a mentalidade de aproveitar o momento para deixar um legado do patrimônio cultural. A economia da cultura deslanchou lá depois da Olimpíada”, diz Nascimento, ao citar o exemplo das lojinhas de museus em aeroportos como exemplo de estratégia bem sucedida.

Segundo ele, ainda hoje, a loja de lembrancinhas de museus é a que mais vende no aeroporto de Madrid, superando inclusive o freeshop . O presidente do Ibram adianta ainda que o plano do governo é instalar essas lojas nos aeroportos de todas as cidades-sede. Os funcionários serão capacitados pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) para atenderem ao público específico dos jogos.

Os gastos do governo não devem ter um retorno direto dos museus, mas espera-se que fortaleçam o turismo cultural.

“O museu em si não rende. Até o Louvre (em Paris) paga apenas 30% do seu custo com a bilheteria. Mas há toda uma cadeia que pode ser gerada a partir do investimento em cultura. O que seria de Niterói sem o Museu de Arte Moderna ou da serra carioca sem o Museu Imperial? Temos que aproveitar esses estrangeiros que estarão no país para conseguir um retorno grande com um investimento pequeno”, defende Nascimento.

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