Tamanho do texto

Ações da companhia lideram as perdas do Ibovespa; queda chegou a 19% no pregão desta sexta-feira

Gol: queda nos preços das passagens vão reduzir margens em 2011
Divulgação
Gol: queda nos preços das passagens vão reduzir margens em 2011
A Gol espera preços e margens de lucro menores para a sua operação em 2011, além de uma demanda e custo maiores . A companhia divulgou nesta sexta-feira projeções revisadas para o resultado no fim do ano, puxadas pela evolução do seu desempenho operacional e pelo aumento de custos no primeiro semestre.

O mercado reagiu mal às novas projeções. A ação da companhia lidera as perdas do Ibovespa nesta sexta-feira. Às 15h35, as ações da companhia caem 18,75%. Os papéis da TAM também estão em baixa - queda de 6,63% no mesmo horário.

Apesar de uma perspectiva de custo maior, a companhia passou a considerar tarifas mais baixas para 2011. A nova projeção é que o yield (valor médio pago por passageiro em cada quilômetro voado) encerre o ano entre R$ 18,50 e R$ 19,8, projeção cerca de 5% menor do que a anterior (de R$ 19,5 a R$ 21).

Sem projetar elevação de preços, a margem operacional (medido pela critério Ebit, lucro antes dos impostos e juros) da Gol deve ser comprometida. A companhia projeta uma margem de, no máximo, 4% para esse ano, ante uma expectativa anterior de ganhos entre 6,5% e 10%. No ano passado, a margem Ebit da companhia foi de 10%.

“A Gol sempre privilegiou a rentabilidade no lugar da participação de mercado, mas o aumento do custo do combustível e a decisão de realizar em 2011, despesas que gerarão economias no futuro colocaram pressão na margem operacional”, informou a empresa.

“Assim, o spread RASK-CASK [diferença entre a receita e o custo por assento] foi desfavorável no primeiro semestre de 2011 e seguirá sendo administrado com foco especial nos próximos meses”, conclui.

Custo maior

Os custos revisados pela Gol não incluem os gastos com combustíveis, responsáveis por cerca de 40% das despesas da companhia. A Gol prevê uma elevação dessas despesas em cerca de 8%.

Esse aumento de custo deve ser compensando, em parte, por uma demanda maior por voos. A expectativa da companhia é de um crescimento cerca de 20% acima do esperado anteriormente. A Gol projeta uma expansão na venda de passagens entre 12% e 18% neste ano.

O prejuízo com o cancelamento de voos afetados pelo vulcão no Chile no primeiro semestre, a contratação de 395 copilotos em fase de treinamento e a antecipação da devolução de aeronaves antigas (Boeing 767) motivaram a mudança das projeções de custo, informou a companhia, em comunicado.

A companhia manteve sua projeção para os custos com combustíveis, mas admitiu que as despesas ficaram acima do esperado no primeiro semestre de 2011. A Gol gastou cerca de R$ 250 milhões com combustível no período, já excluindo o benefício cambial. “A companhia não está repassando esse custo ao consumidor e este cenário pode permanecer”, disse.

Rotas mais rentáveis

Para minimizar os impactos da elevação de custos, a Gol desenvolveu um plano de ação. A empresa disse que vai priorizar as rotas e os projetos mais rentáveis e elevar a utilização das aeronaves. A companhia também revisou contratos com fornecedores e tentará otimizar os serviços de autoatendimento em solo (totens e web check-in).

A companhia está empenhada em reduzir o gasto com combustível através do uso de aeronaves mais eficiente. As novas aeronaves Boeing 737 Next Generation que serão recebidas a partir de agora usam cerca de 2% menos combustível.