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Lucro da cadeia americana, comprada por trio de bilionários brasileiros, registrou lucro 80% maior em 2011 e cortou despesas

Whooper, do Burger King, rival do Big Mac
Divulgação
Whooper, do Burger King, rival do Big Mac
A rede americana Burger King, comprada pelos bilionários Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira em outubro de 2010, vem apresentando melhores resultados financeiros, apesar da queda nas vendas. No quarto trimestre do ano passado, a cadeia de fast-food lucrou US$ 29,4 milhões, revertendo o prejuízo de US$ 93,9 milhões registrado em igual trimestre de 2010.

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O lucro acumulado pela cadeia americana, a maior concorrente do McDonald’s nos Estados Unidos e no mundo, foi de US$ 107 milhões em todo o ano de 2011, 80% superior ao ganho obtido em 2010. O desempenho é um sinal de que a nova administração nomeada pelos investidores brasileiros, conhecidos por cortar custos e fazer uma gestão financeira agressiva, está surtindo efeito.

As despesas totais com vendas, gerais e administrativas do Burger King caíram 56% no três últimos meses de 2011, o que representou uma economia de US$ 144,1 milhões no período, segundo as demonstrações financeiras divulgadas pela companhia, com sede em Miami, na Flórida. Em todo o ano de 2011, os cortes nos gastos alcançaram US$ 202 milhões, com uma redução de 33% nas despesas, que caíram de US$ 619 milhões em 2010 para US$ 417 milhões.

Esse desempenho foi atribuído à adoção da ferramenta de gestão “Orçamento Base Zero” (OBZ), utilizada em outras companhias controladas pelos três empresários, que são donos no Brasil da cervejaria AmBev, fabricante das marcas Brahma, Antarctica e Skol, e da Lojas Americanas, uma das maiores varejista do País. Após a aquisição do Burger King pelo 3G Capital, fundo controlado pelos três empresários, o comando da cadeia americana foi conferido a outro brasileiro, Bernardo Hees, que antes presida a companhia ferroviária ALL Logística.

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As vendas do Burger King, porém, caíram 3%, totalizando US$ 2,3 bilhões em 2011, o que pode ser interpretado ainda como um reflexo da crise americana. No quarto trimestre, a receita foi 1% menor que a obtida em igual período de 2010, somando US$ 580 milhões.

Ao contrário dos Estados Unidos e Canadá, onde as vendas caíram 3,3% em 2011, as vendas do Burger King na América Latina aumentaram 13,5% em moeda constante (que desconsidera o impacto cambial). Essa foi a maior taxa de crescimento no entre todas as regiões onde a cadeia americana está presente. Em moeda constante, as vendas do Burger King cresceram apenas 1,7% globalmente em 2011.

Planos de crescer no Brasil

Em seus comentários sobre as perspectivas para 2012, a companhia afirmou que pretende acelerar sua expansão internacional com a criação de alianças e sociedades locais, citando como exemplo a joint venture firmada no Brasil com a Vinci Partners, do empresário Gilberto Sayão (ex-Pactual), que passou a ser a única franqueada da rede no país.

“Esperamos focar nos nossos planos de expansão predominantemente em países emergentes de rápido crescimento, incluindo o Brasil, China, Rússia, Turquia, Oriente Médio, África e Índia”, informa a companhia.

Quando chegou ao Brasil, o Burger King firmou acordos com vários grupos, que respondiam cada um pela franquia da rede em diferentes regiões do País. Essa estratégia, porém, dificultou a expansão da marca no mercado brasileiro, onde o McDonald’s já possui uma posição consolidada, e fez com que a rede crescesse mais lentamente do que o previsto. 

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