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Em valores, crescimento significa que setor somará R$ 331,96 bilhões até o final deste ano

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O comércio varejista do Estado de São Paulo, que começou o ano mostrando pessimismo influenciado pelas previsões de contágio da economia doméstica pela crise externa, terá um crescimento de 4% no faturamento real em 2011 na comparação com o ano passado. Em valores, o faturamento do setor somará R$ 331,96 bilhões, valor que supera em R$ 32,9 bilhões o faturamento real de R$ 299,06 milhões em 2010. Os dados foram divulgados hoje pelo diretor-executivo da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP), Antônio Carlos Borges. Segundo ele, São Paulo representa 28,7% do faturamento nacional do setor, que será de R$ 1,15 trilhão neste ano.

O consumo das famílias, que foi mantido apesar da enxurrada de notícias negativas vindas do exterior, foi uma variável fundamental para o desempenho do comércio varejista de São Paulo. "Um dos fatores determinantes para tanto foi o Nível de Confiança do Consumidor (ICC), que permaneceu acima dos 150 pontos ao longo de todo o ano", afirmou Borges. O ICC é medido em uma escala que varia de 0 a 200 pontos e denota otimismo quando acima de 100 pontos.

Outro fator apontado pelo diretor da Fecomercio-SP para explicar o crescimento do faturamento do varejo em 2011 foi a evolução do acesso ao crédito. "Apesar de o Banco Central ter adotado as chamadas medidas macroprudenciais ainda em 2010 e de a taxa de média de juros para pessoas físicas ter subido 5 pontos porcentuais no ano até setembro de 2011, o nível de concessões de empréstimos aumentou mais de 4%, em termos reais, no mesmo período", disse Borges.

Emprego e renda

A manutenção dos níveis de emprego e renda no decorrer de 2011 também foi importante para o bom desempenho do comércio varejista no Estado de São Paulo neste ano, avalia Borges. A taxa de desocupação, segundo a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), atingiu em outubro 5,8% da População Economicamente Ativa (PEA). A massa real de rendimentos das famílias cresceu 5,7% neste ano.

"A conjunção dos fatores permitiu o crescimento do consumo sem aumento do nível de inadimplência", afirmou o diretor da Fecomercio-SP. A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da própria entidade, mostra que apenas 41% das famílias estão endividadas na capital paulista. "As famílias com contas atrasadas são somente 8% do total, menor nível desde que a pesquisa foi iniciada, em fevereiro do 2004", explicou Borges.

De acordo com a Fecomercio-SP, o nível de inadimplência também é o menor da série histórica. Pelo levantamento da entidade, só 3,3% das famílias afirmam não ter condições de pagar total ou parcialmente suas dívidas.