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Presidente do conselho passa o cargo para presidente executivo; sindicalistas acusam bilionário de ameaçar o futuro do Carrefour

Em uma assembleia de acionistas tumultuada, realizada na terça-feira no luxuoso centro de convenções próximo ao museu do Louvre, em Paris, o presidente do conselho de administração (“chairman”) do Carrefour, Amaury de Seze, renunciou ao cargo, que passa agora a ser acumulado por Lars Olofsson, de 59 anos, presidente executivo ("chief executive officer" – CEO) da varejista.

Bernard Arnault, o homem mais rico da França, dono de grifes de luxo e do Carrefour
Getty Images
Bernard Arnault, o homem mais rico da França, dono de grifes de luxo e do Carrefour
Descontentes com as decisões que vêm sendo tomadas pelo grupo, muitos dos presentes à assembleia vaiaram Olofsson no fim de sua apresentação e aplaudiram quando um delegado pediu que o bilionário Bernard Arnault, um dos maiores acionistas do Carrefour, saísse do conselho de administração. Arnault é o homem mais rico da França e controla o grupo de artigos de luxo LVMH, dona da Louis Vuitton.

Arnault e o fundo americano Colony Capital, ligado ao mercado imobiliário americano, controlam a Blue Capital, empresa que detém 13,5% do capital total e 20% das ações com direito a voto do Carrefour. A Blue Capital é a maior acionista individual do grupo.

Em uma reunião do realizada após assembleia, os conselheiros aprovaram a saída de Seze e também nomearam Sebastien Bazin, membro do conselho e chefe do fundo Colony Europe, como vice-presidente do conselho de administração.

Seze, de 65 anos, que presidia o conselho do Carrefour há três anos, não disse porque estava deixando o cargo. “Acredito que chegou a hora de colocar os dois cargos em suas mãos (de Olofsson)”, afirmou Seze.

Analistas afirmaram que Seze era visto como um “chairman” controverso, muitas vezes incapaz de resistir às demandas feitas pela Blue Capital.

A saída de Seze também foi um sinal do Carrefour aos seus investidores de que o conselho irá apoiar o Olofsson, que está uam posição de combate após divulgar três consecutivos alertas sobre lucro em menos de um ano e uma estratégia de virada de 180 graus nos negócios (conhecidas como viradas em U).

O conselho também coloca Olofsson na linha de frente e sob uma pressão ainda maior para mostrar resultados de seu plano estratégico de três anos. O Carrefour é a maior varejista da Europa e a segunda maior do mundo, atrás apenas do Walmart.

Société Générale

Em meio à turbulência, o banco Sociéte Générale reforçou sua posição no capital do Carrefour, passando a deter agora 7,87% das ações. O banco francês transformou-se no segundo maior acionista individual do grupo, atrás do Blue Capital, que detém 13,5% do capital total e 20% das ações com direito a voto.

Vitória de Olofsson

Olofsson saiu vitorioso ontem ao conseguir aprovar seus planos de desmembramento da rede de supermercados populares Dia, em meio a um ruidoso protesto de sindicalistas. Os funcionários acreditam que o plano do Blue Capital irá desmantelar o Carrefour, impossibilitando sua expansão futura, e que as medidas estão sendo tomadas apenas para que os investidores recuperem o capital que perderam na companhia.

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