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Aquisição amplia participação de rede de farmácias paulista em shopping centers

A Drogaria São Paulo fechou acordo para a compra de 25% da Drogão, segundo apurou o iG com pessoas a par da negociação. Com a aquisição de uma fatia do capital da rival, a rede paulista amplia sua presença na tentativa de voltar a conquistar a liderança no setor de varejo farmacêutico.

A Drogão, que possui 70 unidades, todas na Grande São Paulo, tem um grande diferencial: 40 farmácias estão concentradas em shopping centers, áreas com grande circulação de pessoas e tíquetes de venda de medicamentos que costumam ser mais altos do que os estabelecimentos de rua. A empresa, que começou como uma distribuidora de medicamentos no fim dos anos 1930, foi uma das primeiras a apostar no varejo farmacêutico quando os shopping tornaram-se novidades. Abriu sua primeira farmácia no Shopping Ibirapuera, em São Paulo, nos anos 1970. Essa loja funciona até hoje.

A investida da Drogaria SP sobre a Drogão parece sinalizar a mudança de atitude de seu controlador, Ronaldo Carvalho. Em outubro, a empresa mudou seu comando com a entrada de um novo presidente, Gilberto Martins Ferreira, que cuidava da divisão Farmax, rede com lojas em shopings que foram convertidas para a marca Drogaria São Paulo. Ele substituiu Marcus Paiva, que presidia a rede desde 2001. A Drogaria São Paulo, que já demonstrou publicamente ter planos de abrir seu capital, emitiu uma debênture no valor de R$ 85 milhões em abril.

Ranking

A  rede foi pioneira a abrir farmácias 24 horas. Chegou a ser a maior em faturamento e número de lojas no País, mas perdeu a liderança nos últimos anos. A rede paulista teve vendas de R$ 1,4 bilhão em 2008, segundo dados do balanço da holding Codrome, o último publicado. A estimativa é que seu faturamento tenha alcançado R$ 1,7 bilhão em 2009 com cerca de 250 unidades, a grande maioria concentrada no Estado de São Paulo.

Com layout menos sofisticado do que os rivais e pouca expressão fora de sua região, a rede foi perdendo terreno. A rival cearense Pague Menos, do empresário Deusmar Queirós, que tomou a meta de abrir uma farmácia em cada Estado brasileiro, lidera atualmente o mercado varejista farmacêutico. A Pague Menos tem hoje cerca de 350 lojas. No critério de número de lojas, a Drogaria SP fica atrás também da Droga Raia, rede da família Pipponzi que possui 300 lojas e que vendeu 15% do seu capital para o fundo de investimento Gávea, do ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga.

Em faturamento, a rede paulista perde não só para a Pague Menos como também para a Drogasil, a única das redes de farmácia listadas na Bolsa de Valores de São Paulo. A Drogasil, controlada pelos investidores Carlos Pires e Paulo Sérgio Galvão Filho (acionistas da Camargo Corrêa e Klabin, respectivamente), teve receita de quase R$ 1,8 bilhão em 2009. A Drogão não publica balanço.

Procurada, a Drogaria São Paulo disse que não podia confirmar a informação sobre a compra de parte da Drogão. A assessoria de imprensa Drogão nem sequer respondeu ao pedido de entrevista.

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