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É mais provável que a Amazon busque entrar no País por meio de aquisições, mas enfrentará a concorrência do Walmart

Detalhe de página da Amazon
Bloomberg/Getty Images
Detalhe de página da Amazon
A disputa travada nos Estados Unidos entre o Walmart e a Amazon pelo varejo online deve chegar ao Brasil, acirrando o interesse pelas operações online nacionais. Executivos ligados ao mercado de internet acreditam que a vinda da Amazon, a gigante americana do setor, é só uma questão de tempo e oportunidade.

O comércio eletrônico brasileiro já vem chamando a atenção de empresas online estrangeiras, como a Netflix, maior serviço de assinatura de filmes e séries pela internet do mundo, que desembarcou agora em setembro no Brasil.

E já circulam há algum tempo rumores de que a Amazon vem analisando o mercado brasileiro, onde o comércio eletrônico cresce 30% ao ano.

Na avaliação de um executivo, é mais provável que a gigante americana prefira entrar no País por meio de uma aquisição ou de uma associação com uma operação já existente do que iniciar seus negócios a partir do zero.

Mas as empresas que já atuam no País, entre elas o Walmart, não deverão facilitar a vida da Amazon e devem disputar com ela a aquisição de negócios no mercado brasileiro.

Rob Walton, chairman do Wal-Mart Stores Inc. e filho do fundador Sam Walton
Getty Images
Rob Walton, chairman do Wal-Mart Stores Inc. e filho do fundador Sam Walton
A "ferida narcísica" do Walmart

O Walmart, em particular, teria mais motivos para tentar impedir a vinda ao Brasil de sua arqui-rival nos Estados Unidos. Nas palavras de um empresário brasileiro, o sucesso da Amazon no comércio eletrônico abriu uma “ferida narcísica” no Walmart, a empresa fundada pelo lendário empresário Sam Walton e que se transformou na maior varejista do mundo.

A multinacional americana faturou US$ 419 bilhões em seu último ano fiscal, mais de R$ 700 bilhões pelo câmbio atual.

Após ter percebido que havia ficado para trás no varejo online, o Walmart tem feito aquisições de empresas de internet, na tentativa de assumir uma posição de liderança no mundo digital.

"Não queremos só competir, queremos jogar para vencer (no comércio eletrônico)", afirmou, no começo de junho, o presidente-executivo do Walmart, Mike Duke, a investidores e funcionários durante assembleia anual de acionistas da empresa. 

Expectativas

A provável vinda da Amazon tem alimentado grandes expectativas no Brasil. O assunto entrou na pauta de discussões dos executivos do Grupo Pão de Açúcar, durante as últimas reuniões de planejamento estratégico da companhia.

O grupo controlado por Abilio Diniz e a rede francesa Casino constituiu no ano passado a Nova Pontocom, que reúne os sites do Extra, Pão de Açúcar, Ponto Frio e Casas Bahia. A Nova Pontocom passou a disputar a liderança do varejo online com a B2W, dona da Americanas.com e do Submarino.

Nesta semana, as ações da B2W, empresa de varejo eletrônico controlada pela Lojas Americanas, chegaram a acumular uma forte alta, o que levantou suspeitas de que a maior empresa brasileira de comércio eletrônico poderia ser alvo de aquisições. Mas, após subirem mais de 8,3% na terça-feira, as ações da varejista online caíram 2,5% na quarta.

Jorge Paulo Lemann, um dos controladores da Lojas Americanas
Divulgação
Jorge Paulo Lemann, um dos controladores da Lojas Americanas
Jorge Paulo Lemann e a família Walton

A B2W e o Walmart têm um ponto em comum. Jorge Paulo Lemann, um dos controladores da Lojas Americanas, é um admirador de Sam Walton e, segundo fontes do varejo, conhece a família americana. O fundador do Walmart, segundo reza a lenda, teria inspirado o empresário brasileiro a investir na Lojas Americanas no passado.

As ações ordinárias da B2W vão mal neste ano: os papéis acumulam uma queda de 44,2% neste ano, a maior entre as empresas do Ibovespa. O papel, que estava cotado em R$ 31,18 no último pregão de 2010, agora vale R$ 17,38.

O que pensam os analistas

Uma eventual compra da B2W pela Amazon faria sentido para a empresa norte-americana, na opinião de Renato Prado, analista de varejo do Banco Fator, uma vez que as duas empresas trabalham com produtos parecidos.

“Nunca tivemos a entrada de uma estrangeira neste segmento, então é difícil prever como será. Mas tivemos a união de Casas Bahia, Ponto Frio e Extra, dentro do Pão de Açúcar, que são companhias que trabalham de maneira semelhante. Quando se fala de Amazon, pensamos em uma quantidade de produtos vendidos. Pode-se dizer que o que o Brasil tem de mais parecido com a empresa norte-americana é mesmo o Submarino,” afirma.

Ele acrescenta que o mercado brasileiro de comércio eletrônico ainda tem um grande potencial de crescimento, o que atrai outras empresas para atuar no setor. “Enquanto nos Estados Unidos o e-commerce chega a 10% do varejo, no Brasil a participação não chega a 5%,” diz Prado.

Ele questiona, entretanto, se seria interessante à B2W vender suas operações neste momento, uma vez que a empresa está capitalizada. Por meio de sua controladora, a Lojas Americanas, a companhia captou R$ 1 bilhão no primeiro semestre deste ano. “Parece que uma operação neste sentido [compra da B2W pela Amazon] seria mais imperativa para a empresa de fora.”