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Após punição, site de viagens corrige irregularidades e é readmitido pelo buscador; perda pode ter sido de 15 dias de receita

O site de vendas de passagens aéreas e pacotes de viagens Decolar.com voltou a aparecer no resultado das pesquisas do Google na última terça-feira. O portal foi banido do buscador por cerca de duas semanas porque teria utilizado estratégias não permitidas para ficar no topo das pesquisas do Google. Neste período, foi completamente banido das buscas orgânicas, aparecendo apenas no espaço de links patrocinados.

Procurados pelo iG , o Decolar.com e o Google não comentaram o caso.

A maior conseqüência para o site em ficar de fora dos resultados das buscas do Google é a perda na receita, de acordo com especialistas em internet consultados pelo iG . O Decolar recebe em média 100 mil visitas por meio do Google, segundo estatísticas online citadas por Fábio Ricotta, co-fundador da consultoria MestreSEO. “O impacto é algo como cortar o faturamento de um mês pela metade”, diz.

Google é a principal porta de entrada de sites de e-commerce
Bloomberg/Getty Images
Google é a principal porta de entrada de sites de e-commerce
Em um site de vendas de passagens, em geral, os buscadores originam entre 60% e 70% dos acessos, diz Vander do Nascimento, fundador da consultoria Digital SEO. Segundo ele, há sites que dependem ainda mais do Google e podem receber até 90% dos acessos por meio de buscas.

O Google possui uma ferramenta, o Google Webmasters Tools, que divulga relatórios sobre o site e envia mensagens se ele estiver infringindo as normas do buscador. Se confirmada a irregularidade, o Google pode banir o site por horas, dias ou até meses. “No Brasil, as empresas não levavam isso muito a sério. Achavam que eles não iam mesmo banir um site”, diz Nascimento. No exterior, a montadora BMW e o portal da loja J.C. Penney já foram punidas pelo Google.

Com o caso do Decolar, os especialistas esperam que as empresas invistam em boas práticas para se posicionar no Google. Para voltar a ser listado nas buscas, o Decolar precisou corrigir as irregularidades e fazer uma solicitação formal ao Google. “Eles tiveram que limpar todas as páginas”, diz Ricotta.

A fraude praticada pelo site teria sido a criação de links com conteúdos de baixa qualidade relacionados a palavras-chaves apontadas nas buscas. Por exemplo, o site criava um link sobre “viagem a Buenos Aires” para se posicionar melhor nas pesquisas por esta palavra-chave. “Não há nada de errado em manter links com estas palavras. O problema é quando a empresa cria o link com conteúdo de baixa qualidade apenas para se posicionar no Google”, diz Ricotta.

Além desta estratégia, há outras formas consideradas irregulares para ganhar posições no Google. Uma delas é encher a página de palavras-chaves da mesma cor do fundo do site. Esta estratégia é imperceptível para os leitores, mas consegue ser identificada pelo sistema do Google.