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Levantamento realizado pelo iG em 11 cidades mostra as diferenças de tarifas e regulações

Uma cena tão clássica quanto as decolagens e a espera na sala de embarque são as filas que os passageiros recém-chegados enfrentam, na hora de pegar um táxi no aeroporto de Congonhas, em São Paulo. “Sou de Cuiabá e venho a São Paulo a cada três meses e sempre há fila”, afirma o comerciante Evandro Poerner. “Dependendo do horário, a espera aumenta muito. Já fiquei 30 minutos parado, mas tem gente que fica mais.”

Passageiros enfrentam longas filas para pegar um táxi; situação é frequente em Congonhas
EduardoCesar / Fotoarena
Passageiros enfrentam longas filas para pegar um táxi; situação é frequente em Congonhas

Na mesma fila, o casal Mário e Toshie Kono concordava e dizia que, tão essencial quanto planejar o roteiro da viagem, é fazer com que a chegada em Congonhas não aconteça nos horários de pico. “Sempre pego táxi no começo da noite já que é um horário bom por aqui”, afirma Mário. “Apesar disso, o trânsito para sair de Congonhas é inevitável.”

A percepção dos passageiros é confirmada pela cooperativa de rádiotáxi Vermelho e Branco, que presta serviços de táxi especial no aeroporto. Segundo a coordenação, o número de solicitações diárias por corridas é de 2,1 mil, para 625 taxistas. Eles não conseguem atender à demanda.

Casal evita horários de pico no aeroporto
Eduardo Cesar / Fotoarena
Casal evita horários de pico no aeroporto
Antonio Luiz Soares é um deles. Com 43 anos de praça na cidade de São Paulo, sendo 35 deles na Vermelho e Branco de Congonhas, ele aponta o trânsito como principal causa para as dificuldades e não o número insuficiente de taxistas no ponto. “Ficamos muito tempo parados em congestionamentos”, diz. “Se estamos em uma corrida longa e na volta pegamos trânsito, é prejuízo na certa. As pessoas pedem táxi, mas não conseguimos chegar na hora marcada e isso é cada vez mais freqüente.”

Movimentar-se em São Paulo é tarefa complicada principalmente nas horas de maior circulação. Nos horários de pico (manhã 7h até 10h e tarde 17h até 20h), a lentidão média registrada em 2010 pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) é de quase 100 quilômetros. “Poderia fazer mais corridas se conseguisse aproveitar melhor o tempo sem ficar horas parado no trânsito”, diz Aloizio José Ribeiro, taxista da Rádio-táxi Central. “Dou preferência para os locais que tem mais gente. Em ponto parado não fico não.”

A capital paulista tem 32,6 mil táxis em sua frota. Com mais de dez milhões de habitantes e 434 mil moradores que fazem parte das classes A e B, que mais frequentemente usam o serviço, a média é de 13 passageiros por veículo. Há táxis especiais, cooperativas, com ponto fixo, de luxo e os comuns. São 2,3 mil pontos situados em vias públicas, imediações de hotéis e estabelecimentos comerciais de grande porte (hipermercados, shopping centers, estações de metrô, terminais rodoviários e aeroportos).

A falta de táxis, porém, é sentida principalmente nas regiões mais distantes dos centros comerciais, nos grandes eventos e nas periferias. Com a cidade recebendo um número maior de feiras e shows ano a ano, no entanto, a carência passou a ser sentida também em outras regiões da cidade. A cidade encerrou o ano de 2009 com 11,3 milhões de turistas, 2,7% maior do que em 2008. Na semana em que houve o show dos Jonas Brothers, a Feira do Automóvel e o Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1, em meados de novembro, tornou-se virtualmente impossível conseguir um carro, mesmo que ele já tivesse sido previamente agendado.

Em semanas normais, os táxis acumulam-se em pontos com grande circulação, evidentemente. Segundo o Departamento de Transportes Públicos (DTP), as regiões Oeste e Central são as que concentram grande número de pontos. Os maiores da cidade são os do Aeroporto de Congonhas, Terminal Rodoviário Tietê e Terminal Rodoviário Barra Funda. “É mais difícil atender às regiões isoladas e periféricas, principalmente com esse trânsito”, afirma Natalício Bezerra Silva, presidente do Sindicato dos Taxistas de São Paulo.

Para Soares, trânsito é o maior problema
Eduardo Cesar / Fotoarena
Para Soares, trânsito é o maior problema
Prefeituras seguram concessões

São Paulo não é a única cidade brasileira a enfrentar esse problema. Mas, mesmo com a aproximação de grandes eventos, como a Copa do Mundo e as Olimpíadas, é consenso entre as prefeituras brasileiras não fornecer mais concessões para táxis. Como justificativa, os órgãos municipais alegam que após o período dos eventos não haverá demanda que justifique o aumento. Em São Paulo, a última concessão foi realizada em 1996 e, de lá para cá, as licenças vêm sendo renovadas anualmente. “O número de táxis em São Paulo é suficiente e consegue atender à demanda”, diz Silva. “Durante a Copa a procura irá aumentar, mas já estudamos com a prefeitura uma maneira de trazer veículos das regiões vizinhas caso seja necessário.”

A situação não é muito diferente em Porto Alegre, cuja última concessão foi feita em 1980. Com 3,9 mil veículos em sua frota, a transferência das permissões – que não tem custo – é autorizada e o número de carros não irá aumentar. A prefeitura da cidade afirma que há táxis suficientes. Se considerada a demanda das classes A e B, o número chega a 19 pessoas por veículo.

Em Belo Horizonte, há 18 habitantes por veículo e se considerada toda a população do município, a demanda chega a 377 pessoas por carro. A cidade tem uma frota de mais de cinco mil táxis e deixou de fornecer concessões em 1995. Das 437 permissões concedidas, no último e único edital, apenas 290 estão habilitadas, já que é impossível transferir a licença.

A alternativa encontrada em Minas Gerais para facilitar a oferta do serviço nas avenidas de maior movimento foram os táxis-lotação. Criados em 2002, são 125 táxis comuns que atendem em pontos específicos das avenidas Afonso Pena e do Contorno pela tarifa de R$ 2,40, transportando até quatro pessoas. “Estimamos que na Copa haverá aumento de 30% a 40% na demanda por táxis”, diz Dirceu Efigênio Reis, presidente do Sindicato Intermunicipal dos Condutores Autônomos de Veículos Rodoviários (Sincavir). “Sempre que há excedente na procura, a prefeitura determina que qualquer táxi possa se tornar táxi-lotação, desde que respeitem os itinerários e a tarifa oficial.”