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Empresário francês Jean-Charles Naouri busca limitar influência de Abilio, que pode continuar na presidência do conselho da rede

Empresário Abilio Diniz
AE
Empresário Abilio Diniz
Jean-Charles Naouri, dono da rede francesa Casino, não estará livre de Abilio Diniz, apesar de conseguir afastar o empresário brasileiro da presidência do conselho da Wilkes, a holding que controla o Grupo Pão de Açúcar (GPA). O acordo de acionistas firmado entre os dois estabelece que Diniz tem o direito de permanecer na presidência do conselho de administração da GPA pelo tempo que desejar, desde que esteja apto física e mentalmente para a função.

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Isto significa que Diniz continuará tendo influência na varejista, mesmo após transformar-se em  acionista minoritário da Wilkes, o que acontecerá no dia 22 de junho. Mas Naouri pretende fechar o cerco ao seu sócio indesejado. 

O próximo passo do empresário francês será aumentar o seu número de assentos no conselho de administração do Grupo Pão de Açúcar, que atualmente é formado por cinco nomes indicados por Diniz, cinco pelo Casino e quatro membros independentes. Depois do dia 22 de junho, o Casino passará a nomear sete conselheiros, enquanto Diniz terá direito a apenas três indicações. Para os quatro assentos independentes, os nomes terão de ser aprovados pelos dois sócios.

Possíveis mudanças de rumo 

Futuros desdobramentos ainda poderão ocorrer na disputa societária, dependendo das decisões que vierem a ser tomadas pelo tribunal arbitral instaurado em São Paulo. O Casino abriu dois processos contra Diniz, mas, como eles correm em segredo, não se sabe quais são as suas possíveis consequências e se elas incluem, por exemplo, o rompimento dos termos acertados no acordo de acionistas e o afastamento de Diniz da presidência do conselho do Grupo Pão de Açúcar ou compensações financeiras.  

Naouri alega que Diniz feriu o acordo entre eles ao tentar realizar, sem sucesso, uma fusão do Grupo Pão de Açúcar com o Carrefour, o que diluiria a participação do Casino na companhia brasileira. Mas o Casino não revela o que reivindica nos processos contra Diniz.    

Troca de comando

Naouri comunicou na quarta-feira a Diniz que vai assumir a presidência do conselho da Wilkes, como lhe é de direito. Por ser o presidente do conselho, Diniz terá agora que convocar uma assembleia da holding para referendar a troca da presidência, o que precisará ser feito até uma semana antes do dia 22 de junho.

Nesta data, Diniz será obrigado a transferir uma ação simbólica, chamada de “golden share”, a Naouri, que passará a ser o sócio majoritário da Wilkes. A data será um divisor de águas para a Grupo Pão de Açúcar, permitindo que o Casino comece a mandar pela primeira vez na companhia brasileira, onde Diniz  deu as cartas até hoje.

Naouri possui uma participação bem maior no capital total do Grupo Pão de Açúcar, mas até agora nunca deu ordens sem a palavra final de Diniz. O empresário francês detém 45,3% de todas as ações da varejista, enquanto o seu sócio brasileiro possui hoje 21%.

O grande problema de Naouri, porém, será promover as mudanças societárias sem afetar a engrenagem do Grupo Pão de Açúcar, que vem apresentando um bom desempenho e cujos resultados são importantes para os franceses.

Gestão deve ser mantida

Naouri já declarou anteriormente que está satisfeito com a gestão de Enéas Pestana, presidente executivo do Grupo Pão de Açúcar, e que pretende manter a atual administração da companhia. Por contrato, Diniz terá de escolher entre os nomes indicados pelo Casino para a presidência executiva, permitindo que o grupo francês tenha interferência nas decisões.

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Pestana, que antes ocupava a vice-presidência financeira da companhia, foi o nome escolhido por Diniz em 2010 para ser o presidente do Grupo Pão de Açúcar. Ele substituiu Claudio Galleazi, consultor contratado em 2007 para conduzir o processo de reestruturação da varejista, considerado bem-sucedido pelo mercado. Diniz, filho mais velho do fundador do Grupo Pão de Açúcar, presidiu ele mesmo o Pão de Açúcar até 2003, quando o grupo nomeou pela primeira vez para o cargo um profissional de fora da família.

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