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Executivo é convocado pela matriz depois de subsidiária apresentar rombo de R$ 160 milhões

Lars Olofsson, presidente mundial do Carrrefour: intervenção da matriz nos negócios da subsidiária brasileira
Getty Images
Lars Olofsson, presidente mundial do Carrrefour: intervenção da matriz nos negócios da subsidiária brasileira
O presidente mundial do Carrefour, Lars Olofsson, escolheu um francês, Christophe Guillaume Martin, para chefiar área financeira da subsidiária brasileira.

Martin chega ao Brasil e assume o cargo em um momento crítico para a rede de supermercados, cujas contas no País estão sendo auditadas desde agosto pela matriz, que contratou a empresa KPMG para a tarefa. Até o fim de setembro, Martin ocupava um cargo nas operações do Carrefour na Turquia.

Em seu balanço do segundo trimestre, divulgado em agosto, a multinacional francesa anunciou que computou uma despesa extraordinária de 70 milhões de euros (R$ 160 milhões) nas suas contas no Brasil, após encontrar divergência na contabilização de algumas receitas e estoques.

Saída de executivos

Nos últimos dois meses, a empresa sofreu mudanças em sua administração. Quatro executivos do alto escalão no Brasil deixaram a companhia: o diretor financeiro, Pedro Daniel Magalhães; o diretor do Atacadão, Roberto Britto; o diretor de hipermercados, Eric Heiss; além do próprio presidente executivo, Jean-Marc Pueyo.

Em julho, Olofsson nomeou pela primeira vez um brasileiro, Luiz Fazzio, para presidir as operações no Brasil, sinalizando que pretende impor uma nova cultura ao Carrefour no País.

Segundo pessoas a par da situação que conversaram com o iG , desde que assumiu a presidência mundial do Carrefour, em novembro de 2008, Olofsson vem promovendo transformações nos negócios da multinacional. E essas mudanças começaram a chegar agora ao Brasil.

O Carrefour enfrenta problemas no mercado brasileiro, sobretudo na divisão de hipermercados, modelo de negócio que, na visão de especialistas do varejo, atravessa uma crise por não atrair mais tantos consumidores como no passado. O grande acerto do Carrefour no Brasil, dizem consultores, foi a compra do Atacadão, que deu uma nova dimensão aos negócios no Brasil, mas os negócios também passam por uma nova orientação.

O Carrefour possui mais de 600 lojas e é o segundo maior varejista no Brasil com faturamento de R$ 25,6 bilhões, atrás apenas do Grupo Pão de Açúcar. A operação brasileira é a segunda maior do grupo fora da França.

Mudança inesperada

A escolha de Luiz Fazzio para a presidência executiva da subsidiária brasileira, em julho, é um reflexo das transformações impostas por Olofsson. Fazzio não era um executivo de carreira do Carrefour, o que lhe dá carta branca para realizar as mudanças desejadas pela matriz. Antes de ser chamado pela rede francesa, o executivo comandou por seis anos a C&A e já havia passado pelo Pão de Açúcar e a rede americana de supermercados Walmart.

A nomeação de Fazzio foi uma surpresa. Era esperado que o seu antecessor, francês Jean-Marc Pueyo, que presidiu as operações no Brasil até meados deste ano, fosse substituído por Eric Heiss, que foi enviado à subsidiária brasileira em 2009, como parte do processo de sucessão. Antes de vir ao Brasil, Heiss ocupava a diretoria financeira da matriz, na França, e veio para o País para cuidar da divisão de hipermercados.

Com a indicação de Fazzio, Heiss deixou a empresa. Pueyo também desligou-se da companhia.

Segundo contaram fontes ao iG , a permanência do ex-diretor financeiro, Pedro Daniel Magalhães, tornou-se insustentável após a saída de Pueyo - o Carrefour não atribui ao executivo a responsabilidade pelas diferenças na contabilização de receitas. Oficialmente, a rede diz que não foram encontradas evidências de má conduta. Magalhães manteve-se no Carrefour até meados de agosto para fazer a transição do cargo.

Para o lugar de Roberto Britto, que comandava o Atacadão, o Carrefour chamou de volta José Roberto Müssnich, que presidia a rede antes de sua aquisição pela multinacional.

Na França, o próprio Carrefour vem passando por um período de transformações desde a morte, em 2003, de Jean-Louis Halley, herdeiro do grupo, em um acidente aéreo. Os dois maiores acionistas da multinacional francesa, a segunda maior varejista do mundo, passaram para as mãos de Bernard Arnault, dono do conglomerado de luxo LHVM e o homem mais rico da França, e o fundo de investimento Capital Colony, que impuseram uma gestão com um viés mais financista à companhia.

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