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"(Se a quebra da Sadia acontecesse) teria dado a liderança de mercado para a Perdigão de qualquer maneira", afirmou uma fonte

Nos próximos dias executivos da Brasil Foods vão tentar convencer o Cade que além da empresa não concentrar tanto mercado como o relator do caso no órgão indicou, sua criação evitou um mal social maior, que seria a quebra da Sadia, disse à Reuters um representante de um grande acionista da BRF.

Na avaliação da fonte, que pediu anonimato, a fusão da Perdigão com a Sadia há dois anos, com o apoio de membros do então governo Lula, evitou demissões em massa que uma eventual quebra da Sadia traria e não se tratou de uma jogada empresarial, de um lance agressivo de aquisição.

"(Se a quebra da Sadia acontecesse) teria dado a liderança de mercado para a Perdigão de qualquer maneira", afirmou a fonte.

"Tudo isso tem que ser bem avaliado, porque não foi um processo de compra agressivo, de 'takeover', ela (BRF) foi feita para se evitar um problema social muito maior, que era a quebra de uma companhia quase centenária, com uma marca muito forte (Sadia)", disse a fonte. "Foi o resultado de uma crise internacional", complementou ele sobre a situação em que estava a Sadia na época.

Operações com derivativos cambiais provocaram perdas bilionárias para a Sadia quando estourou a crise financeira internacional, a partir de 2008. A empresa registrou, então, o maior prejuízo da sua história e buscou conversas com a Perdigão, sua principal rival, para unir as duas companhias.

A fusão foi anunciada em maio de 2009, com os sócios da Perdigão abocanhando 68% da BRF e os da Sadia ficando com 32% do novo grupo.

Posteriormente, a BRF fez uma oferta pública de ações e começou a ser negociada em bolsa, enquanto os órgãos reguladores avaliavam a fusão. Na quarta-feira, o relator do caso deu parecer desfavorável à união das companhias, derrubando as ações e trazendo incerteza entre os acionistas.

Para a fonte ouvida pela Reuters o importante no momento é negociar com o Cade, "que nunca esteve tão duro", e apostar no bom senso do órgão.

"Chegou o momento das duas partes (BRF e Cade) sentarem e buscarem uma solução que de fato não destrua um projeto de uma empresa nacional forte que vai conseguir conquistar o mercado lá fora", avaliou, acrescentando que não haveria ganhos para nenhuma das partes envolvidas se o negócio fosse totalmente rejeitado.

"A gente acredita no bom senso dos diferentes atores nesse processo", afirmou, acrescentando entender também a preocupação do órgão regulador com o consumidor, que "precisa ser respeitado".

Inicialmente, a retomada do julgamento do caso BRF no Cade foi agendada para a próxima quarta-feira, dia 15 de junho, mas pode ser que exista uma pausa maior para que os conselheiros do órgão possam avaliar melhor todo a situação.

Em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo publicada nesta sexta-feira, o presidente-executivo da BRF, José Antônio do Prado Fay, reconheceu que a companhia pode ter dado uma ideia de inflexibilidade aos membros do Cade e indicou que vai participar ativamente de conversas nos próximos dias buscando uma solução para o problema.

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