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Grandes redes varejistas mais que dobraram o número de unidades comercializadas na comparação com o mesmo período do ano passado

A menos de 15 dias do início da Copa do Mundo, as vendas de televisores dispararam. Grandes redes varejistas mais que dobraram o número de unidades comercializadas na comparação com o mesmo período do ano passado. Apesar do forte ritmo do consumo, lojistas informam que, por enquanto, não faltam produtos, mesmo os modelos mais procurados, como as TVs de LCD de 32 polegadas.

“Nossas vendas estão surpreendendo absurdamente”, afirma o diretor de eletrônicos do Carrefour, Fábio Régis. Levando em conta o desempenho da última Copa do Mundo, quando os volumes vendidos de TVs cresceram 35% em relação a 2005, a rede se preparou nesta Copa para um aumento de 45% a 50% ante 2009. Mas só neste mês a empresa já vendeu um número de TVs 67% maior na comparação com 2009 e ampliou em 80% o faturamento com o produto.

Para atender a demanda inesperada, a rede ampliou as encomendas junto às indústrias. “O fabricantes estão bem preparados até a metade do mês que vem. Se o Brasil for classificado e tiver uma segunda rodada de compras, podem ocorrer problemas pontuais.”

Além de ampliar as compras, o executivo conta que hoje os televisores mal chegam a entrar no centro de distribuição da rede varejista. Segundo ele, o produto só troca de caminhão para atender a forte demanda nas lojas.

O grupo Pão de Açúcar, dono das bandeiras de eletrodomésticos Ponto Frio e Extra, também comemora os resultados. As vendas de televisores cresceram 110% no quadrimestre em relação a igual período de 2009, segundo o gerente comercial de áudio e vídeo do grupo, Leonardo Pagonotti. “Tenho produto suficiente, mas risco de falta existe”, diz.

Nas Lojas Colombo, os volumes comercializados de televisores dobraram de janeiro a maio. “Em virtude da Copa do Mundo, tivemos vendas excelentes já no Dia das Mães”, conta Gladimir Somacal, diretor de compras.

Fininhas

As vendas nas Lojas Colombo, assim como nas demais redes varejistas, estão sendo impulsionadas pelas TVs fininhas, de plasma, LCD e LED, enquanto os volumes comercializados de televisores de tubo (cinescópio), a tecnologia mais antiga, cresce menos ou até registra retração.

“Se continuar nesse ritmo, até o final deste ano a indústria vai deixar de produzir TV de tubo”, diz o supervisor geral das Lojas Cem, José Domingos Alves. De janeiro a maio, as vendas de televisores cresceram 100% em número de peças na comparação anual e os negócios estão sendo ampliados por causa das TVs fininhas.

O quadro é semelhante em outras redes varejistas. No Magazine Luiza, o número de televisores vendidos cresce a uma taxa de 50% na comparação com 2009. No Walmart, o volume de vendas da última semana foi 40% maior em relação a igual período do ano passado.

Virada

O grande ímpeto de compra das TVs fininhas, mais modernas, de LCD e LED, foi desencadeado pela forte redução de preços da indústria, os prazos mais longos de pagamento oferecidos pelas lojas e a disputa acirrada dos varejistas pelo consumidor. Desde 2006, a última Copa, até hoje os preços desses televisores no varejo caíram mais de 70% e os prazos de pagamento oferecidos pelas lojas triplicaram, chegando a 30 meses.

Fontes do mercado observam que os fabricantes de televisores estão fomentando a produção de aparelhos tecnologicamente mais avançados porque, nestes itens, é possível recuperar as margens de comercialização que foram achatadas nos televisores de modelos convencionais.

No primeiro quadrimestre deste ano, a produção total de televisores atingiu 4,1 milhões de aparelhos, segundo dados da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa). Desse total, as TVs de LCD e plasma somaram 2,3 milhões unidades e representaram mais da metade (56,8%). O restante, 43,2%, são as TVs de tubo.

Neste ano, foi a primeira vez, desde que as novas tecnologias chegaram ao País, que o volume de TVs de plasma e LCD vendido pela indústria superou as quantidades comercializadas de televisores de tubo, aponta a Suframa. Em 2009, a fatia das TVs de plasma e LCD foi de 45,1% do total e os televisores de tubo responderam por 54,9%.

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