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Em função da concorrência asiática, o setor moveleiro do Brasil reduziu sua participação no comércio exterior desde o ano 2000, apesar do aumento da capacidade produtiva

O mercado americano é estratégico para a indústria de móveis do Brasil
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O mercado americano é estratégico para a indústria de móveis do Brasil

Com receita global, no ano passado, de R$ 43 bilhões, respondendo por 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB) industrial nacional e pela geração de cerca de 400 mil empregos no país, o setor moveleiro do Brasil quer expandir sua participação nos Estados Unidos.

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O mercado norte-americano é considerado o maior do mundo, no qual a indústria de móveis brasileira perdeu terreno para os concorrentes asiáticos. O setor envolve 20 mil marcenarias brasileiras de pequeno e grande porte.

Para entrar no mercado norte-americano, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) decidiu incrementar o projeto Orchestra Brasil, que desenvolve em parceria com o Sindicato das Indústrias do Mobiliário de Bento Gonçalves (Sindmóveis) desde 2003. O objetivo é promover a inserção competitiva dessas empresas no mercado internacional de forma sustentável. Conforme disse à Agência Brasil o gerente do projeto na Apex-Brasil, Emanuel Figueira Júnior, no ano passado o projeto passou a agregar designers que prestam serviços à indústria de móveis.

O resultado foi a realização, este ano, de concurso para a criação de uma coleção de móveis por desenhistas brasileiros, para ser apresentada ao mercado americano. As inscrições já foram encerradas. Vinte e cinco designers se inscreveram, informou a consultora Ana Cristina Schneider, responsável pela condução do projeto no Sindmóveis. Na primeira semana de dezembro, eles receberão a visita de dois especialistas do mercado dos Estados Unidos, contratados pelo projeto, que vão mapear as tendências e preferências dos consumidores daquele país e as oportunidades locais.

“A ideia é lançar a coleção em maio de 2015, paralelamente à Semana do Design, em Nova Iorque”, disse Ana Cristina. Nova Iorque foi escolhida para o lançamento do projeto por ser um polo irradiador para o Leste americano. Ela acentuou que o design vai acrescentar valor à indústria moveleira brasileira, em especial às empresas que têm o mercado americano como prioridade.

De acordo com a Apex-Brasil, o mercado americano é estratégico para a indústria de móveis do Brasil. Os Estados Unidos responderam, em 2013, por US$ 47,3 milhões do total de US$ 148,2 milhões exportados por cerca de 200 empresas apoiadas pelos projetos setoriais da agência, voltados para a cadeia produtiva do mobiliário. Somente no primeiro semestre de 2014, o mercado norte-americano foi destino para US$ 24,5 milhões exportados, dos US$ 66 milhões vendidos pelas empresas dos projetos setoriais. “Existe muito mercado ainda a conquistar”, disse Figueira Júnior.

Em função da concorrência asiática, o setor moveleiro do Brasil reduziu sua participação no comércio exterior desde o ano 2000, apesar do aumento da capacidade produtiva no período. “Nós passamos a vender muito mais no mercado doméstico”, disse o gerente da Apex-Brasil. Em 2013, as exportações de produtos de mobiliário alcançaram em torno de US$ 500 milhões.

Em um segundo momento, a meta é ter presença física nos Estados Unidos, o que poderá ocorrer por meio do conceito de uma loja dentro de outra, um espaço em Nova Iorque ou por meio de parceria com alguma marca já estabelecida nos Estados Unidos. Ana Cristina acrescentou que os protótipos dos móveis que serão criados pelos designers buscarão parceiros no Brasil para serem desenvolvidos. O projeto pretende também estimular a inovação, por meio de tecnologia e materiais alternativos, acrescentou o gerente da Apex-Brasil.

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