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Previsão do presidente da associação do setor é que modelo esteja em operação em 2014

As máquinas de vendas automáticas, as chamadas vending machines, devem ganhar uma nova facilidade de pagamento até o final do ano: poderão aceitar cartões de débito e crédito, em um projeto que envolve fornecedores de tecnologia, operadores e administradoras e bandeiras de cartões. Esta é a expectativa do presidente da Associação Brasileira de Vendas Automáticas (ABVA) Yves Dalton Dall' Olio.

Com a proximidade dos eventos esportivos que o País irá receber, como a Copa e os Jogos Olímpicos, empresas, aponta, visualizaram um mercado potencial. “Os turistas estrangeiros estão acostumados com a tecnologia, e será possível aumentar as vendas neste canal durante os eventos”.

Máquina da Cacau Show na estação Pinheiro do Metrô de São Paulo: teste do canal
Marília Almeida/iG
Máquina da Cacau Show na estação Pinheiro do Metrô de São Paulo: teste do canal

A nova modalidade de pagamento pode impulsionar o mercado, pois o troco, no caso de compra com cédulas e moedas, é hoje um entrave. “Além de repor produtos constantemente, temos que repor moedas, o que varia muito conforme o consumo”, diz Dall´Olio.

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“Já elegemos um sistema. Ou seja, temos equipamentos e software. Agora conversamos com as administradoras de cartões para verificar como será a operação. Estão sendo realizados alguns testes. São três empresas trabalhando com um operador para dar segurança ao sistema. Ou seja, adequá-lo à realidade brasileira. Até o final do ano a ideia é já ter isso funcionando”

A Visa confirma que conversa com operadores, empresas que podem utilizar o serviço e adquirentes com o objetivo de explorar o mercado.

"Hoje a aceitação de cartões nas máquinas não é relevante, e as iniciativas existentes para a aceitação do cartão foram adaptadas para as máquinas, e não criadas para elas. Já temos a estrutura e tecnologia necessária. Resta encontrar um modelo de negócio para oferecer a solução", diz Renato Rocha, diretor de aceitação e relacionamento com o comércio da Visa.

Em locais sem rede de telefonia fixa instalada, por exemplo, será possível introduzir chips de rede móvel nas máquinas.

Rocha diz que nos Estados Unidos muitos equipamentos já aceitam transações com cartões. "Em ambientes corporativos, existem máquinas de café nas quais é necessário recarregar com o cartão de débito o cartão da máquina. A aceitação do próprio cartão na máquina irá facilitar esse processo", completa.

O pagamento com cartões pode impulsionar também a ampliação de categorias de produtos vendidos nas máquinas. "O consumidor pode ter R$ 2 para comprar um refrigerante na carteira, mas dificilmente terá R$ 100 para comprar um produto de maior valor agregado", diz o executivo.

O mercado é estratégico para a Visa ampliar sua atuação no País, ao lado do setor de saúde (escritórios, médicos) e educação (escolas). 

Há dois anos, a operadora de máquinas de vendas automáticas 24x7 importou para o País um sistema israelense, sobre o qual detém os direitos de fornecimento no Brasil. Para o sócio administrador da empresa, Fabio Bueno Netto, ele já foi criado para aceitar o pagamento por cartões e também por telefone celular. 

"Ele permite acompanhamento do estoque da máquina e reduz o custo de abastecimento, pois dispensa muitas visitas ao equipamento. O lucro da operação pode aumentar 35%. Também atende requisitos de segurança antifraude, que é um problema no caso dos cartões". 

Procurada, a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) declarou que, a princípio, não há nenhum projeto em andamento na associação sobre o assunto. Os representantes do setor de cartões indicam que o movimento pode estar sendo feito por algumas credenciadoras.

Um dos problemas a serem enfrentados é a comunicação da rede com a máquina de cartão, que valida a operação. “Temos de tomar cuidado com áreas de sombra. A falta de estrutura pode refletir no custo do produto”.

Falta de troco

Além do custo de manutenção, o setor sofre com a falta de padronização de cédulas e moedas, que acabam não sendo identificadas corretamente pelas máquinas. Isso justifica a busca por maiores facilidades de pagamento. 

Segundo Dall´Ólio, as cédulas já chegaram em um nível adequado de padronização para que sejam aceitas pelos leitores das máquinas, mas as moedas devem atingir esta adequação com a terceira família, que deve ser lançada em breve pelo Banco Central.

Com aprimoramentos, elas poderão ser lidas de forma magnética, não apenas por peso, espessura e diâmetro. “Porém, demora anos para substituir as moedas em circulação”, diz.

Testes

Além da Coca-Cola e da Nestlé, que têm uma estratégia consolidada em pontos comerciais, algumas empresas ensaiam passos nesta direção, com projetos piloto.

Uma delas é a Cacau Show, que tem máquinas de vendas automáticas no Metrô de São Paulo. As máquinas servem como 'vitrine' da marca de chocolates. São 28 produtos diferentes, divididos em 14 categorias. Há desde tabletes de chocolate por R$ 1,25 até opções com embalagens para presente que chegam a custar R$ 8,90.

As máquinas geralmente estão localizadas na plataforma das estações e aceitam notas de R$ 2, R$ 5 e R$ 10, além de moeda. Mas dão troco apenas para, no máximo, R$ 10. Algumas vezes foi possível constatar que a máquina estava com troco esgotado. A empresa não comenta a estratégia ou confirma informações.

Já as máquinas de livros "Pague Quanto Acha que Vale", também localizadas em algumas estações do Metrô da cidade e operadas pela 24x7, não dão troco e não aceitam moedas.

Máquina de vendas automáticas de salgados da Quickies: só aceita moedas
Marília Almeida/iG
Máquina de vendas automáticas de salgados da Quickies: só aceita moedas

A máquina de vendas automáticas de salgado da Quickies faz sucesso na Ladeira Porto Geral e na Rua 25 de Março, na região central de São Paulo. Tanto que virou franquia. As primeiras lojas serão abertas em uma rua comercial de São Caetano do Sul e em Salvador.

Junto com a máquina, importada da Holanda, é necessário ter um aparelho que permite trocar cédulas por moedas, já que a máquina não dá troco.

Os salgados custam de R$ 1,50 a R$ 2,50. A máquina também vende refrigerantes. Agora, a ideia é programá-la para vender hambúrgueres e batatas-fritas.

A Chilli Beans já realizou um projeto piloto com vending machines em março de 2011 na Linha Amarela do Metrô de São Paulo. Carregada com 40 opções de óculos diferentes, ao preço médio de R$138, a máquina foi instalada na estação Paulista.

O equipamento usava a tecnologia de realidade aumentada para projetar os óculos escolhidos em 3D, em tempo real, no rosto do cliente. Isso permitia que a pessoa “experimentasse” como eles ficavam mesmo sem ter os óculos, fisicamente, nas mãos.

Devido à velocidade de lançamentos da Chilli Beans – são dez modelos por semana, entre outros produtos –, a empresa ainda não encontrou uma solução viável economicamente para fazer as devidas atualizações e dar continuidade à implantação de suas vending machine.

Já a Alpargatas já teve máquinas no exterior que vendem Havaianas. A empresa não conseguiu confirmar as informações, mas relatos de consumidores na rede apontam que as máquinas já foram testadas em localidades como Sidney, na Austrália.

Em crescimento

Hoje, 85% das máquinas de vendas automáticas estão localizadas dentro de empresas e servem, em geral, bebidas quentes. “É a cultura do cafezinho”, diz Dall´ólio, da ABVA. Os outros 12% são máquinas de snacks e refrigerantes instaladas em pontos comerciais.

Mas foi nos últimos dois anos que as máquinas em pontos comerciais cresceram 40%, e representam hoje 15% do mercado. Enquanto isso, o mercado corporativo registra um aumento em torno de 10% ao ano.

A expectativa é que o crescimento em pontos comerciais aumente para 50% nos próximos dois anos, e atinja 10 mil máquinas. Hoje, são 5 mil em operação nestes locais, e cerca de 85 mil dentro de empresas.

O foco são locais de grande circulação, onde haja tempo de permanência dos potenciais consumidores e que ofereçam estrutura de segurança. São estabelecimentos como aeroportos e hospitais.

No ano passado, o setor obteve uma conquista: a Infraero, administradora de aeroportos públicos no País, abriu uma concorrência para instalar cerca de 150 máquinas de vendas automáticas, de bebidas quentes, lanches e refrigerantes.

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