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Alto custo das unidades e saída do principal executivo atrapalham expansão da varejista de luxo

Ter um cliente como o príncipe William, segundo na linha de sucessão do trono inglês, não é para qualquer empresa. Mas é para a argentina La Martina, marca de roupas de jogo de polo. E se a qualidade dos produtos precisa estar a altura de consumidores deste tipo, a apresentação das lojas também não pode ficar por menos.

Mas no Brasil, mesmo sem ter príncipes na sua clientela, a empresa exagerou nas exigências feitas a seus candidatos a franqueados. Piso de mármore e outras imposições elevaram os custos para a abertura das lojas. Resultado? De fevereiro de 2011 até agora, a varejista não conseguiu abrir nenhuma franquia. A única loja em operação é a do shopping Cidade Jardim, em São Paulo, que pertence a própria companhia.

Até o final de 2010, a empresa atuava no Brasil através de um representante que distribuia os produtos em 75 lojas multimarcas. Desde o início do ano passado, a companhia resolveu tomar as rédeas da operação brasileira e anunciou seu plano de expansão. Seriam 15 franquias até 2014. O responsável pelo plano era Tomas Lanzillota, que trabalhava na sede do grupo, em Buenos Aires, há quinze anos. Mas o alto preço das franquias inviabilizaram a expansão brasileira. “Não permitiram que ele reduzisse o custo das unidades”, diz um executivo próximo a empresa. Lanzillota deixou a companhia e hoje está na rede de roupa feminina Rapsodia. Na La Martina, quem assumiu o comando do Brasil foi Dario Dominguez, que também possui participação na empresa, cujo acionista majoritário é o empresário Lando Simonetti.

Dominguez prefere não comentar os motivos da saída de Lanzillota. “Fizemos uma reestruturação na empresa. Tomas foi embora por problemas internos”, resume. Ele também afirma que a rede já retomou os planos de expansão e tem contratos de franquias fechados para Campinas, Curitiba e Rio de Janeiro. As unidades devem ser abertas no ano que vem

A reestruturação sobre a qual Dominguez faz mistério diz respeito a redução do investimento por parte dos franqueados, afirma um executivo do mercado. “Eles revisaram o projeto. Agora o valor de uma franquia La Martina está 75% menor”, diz. Dominguez desmente as informações.

Presente em 20 países, as roupas da La Martina são elaboradas para jogadores de polo. A companhia costuma participar em diversos torneios espalhados pelo mundo. Uma camiseta fabricada pela empresa para um campeonato possui diversos símbolos que deixam claro em qual jogo e em qual país ela foi usada. Depois o mesmo modelo de pode ser comprado pelo consumidor em uma das lojas da rede. O diferencial da empresa é justamente este. Ter em suas roupas emblemas originais de campeonatos que realmente aconteceram. É comum encontrar no mercado varejistas que trabalham com roupas apenas inspiradas em campeonatos de polo, ou seja, com símbolos e brasões de jogos fictícios.

A La Martina também fabrica capacetes, celas e tacos, os quais são usados pelos atletas durante os jogos.

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