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Expectativa da Abav é que mercado feche com alta de 13% neste ano e registre a mesma média em 2013

Não parece haver crise internacional, oscilação cambial ou qualquer outro efeito econômico capaz de retrair a indústria do turismo no Brasil atualmente. Crescem os investimentos, a movimentação de passageiros e as expectativas de desempenho dos empresários e do governo. Mas o país ainda tem um longo caminho a percorrer até alcançar indicadores de movimento e receita neste setor que façam jus à sua extensão territorial e aos atrativos que oferece, se comparado ao desempenho apresentando por outras nações.

O ministro do Turismo, Gastão Vieira, defende que, no cenário atual, independentemente do desempenho econômico brasileiro, a tendência é de o setor manter-se em alta. “A crise é bem enfrentada no turismo. Há vários fatores que favorecem isso: o nível de emprego se mantém, o brasileiro está envelhecendo e tem mais disponibilidade, as facilidades de parcelamento tornam as viagens mais acessíveis”, afirma Vieira, em entrevista exclusiva ao BRASIL ECONÔMICO .

Ele reconhece, contudo, que o potencial turístico do Brasil ainda é subaproveitado. “Nosso número de visitantes estrangeiros é monótono. Recebemos cerca de 5,4 milhões de pessoas, sendo que quase metade desses turistas são argentinos”, diz o ministro. “Precisamos melhorar nossa competitividade interna, reduzir os preços das tarifas de hotéis, convencer os brasileiros de que é melhor ir para uma praia do Nordeste do que para Miami. Isso é um desafio que perseguimos.”

Outro ponto fundamental para ampliar a atratividade no turismo, segundo Gastão Vieira, é atuar nos países vizinhos. “Turismo é fronteira. Precisamos buscar os argentinos que queiram conhecer outras localidades brasileiras (além do Paraná e de Santa Catarina). E também estamos divulgando o país entre os turistas que mais crescem, que são os chineses, os russos e os indianos”.

As perspectivas para chegar a esse patamar, contudo, são positivas. A estimativa da Associação Brasileira das Agências de Viagem (Abav) é de que o setor termine este ano com crescimento de cerca de 13%. Para o ano que vem, a expectativa é semelhante, em torno de 12%. “Tínhamos uma previsão de crescimento maior para 2012, de quase 20%, mas ela estava influenciada pelo desempenho de 2011, que apresentou essa alta. Mas, de forma alguma podemos considerar como algo negativo um aumento de 12% de mercado sobre uma base muito alta”, avalia Edmar Bull, vice-presidente da Abav.

Nos cálculos do Ministério do Turismo, o Brasil deve registrar neste ano 84 milhões de desembarques, contra 70 milhões em 2011. Somente até outubro, o setor movimentou no país R$ 247 bilhões, enquanto em todo o ano de 2011 o volume havia alcançado R$ 238 bilhões. “Um grande diferencial do turismo é que o setor não consome tanto produto estrangeiro como ocorre em outras áreas”, compara o ministro Gastão Vieira.

Para os próximos anos, em razão dos eventos esportivos, Vieira tem expectativas ainda mais otimistas. “Se fizermos uma comparação entre as vendas de ingressos para a Copa das Confederações, por exemplo, vemos que, enquanto na África foram vendidos cerca de 10 mil ingressos nos primeiros dez dias, no Brasil esse volume já atingiu 110 mil”, diz.

Se cresce a demanda, aumentam também os investimentos das companhias que atuam nesta área. De janeiro a outubro, o setor de turismo somou R$ 9 bilhões em empréstimos, contra R$ 8,6 bilhões no mesmo período do ano passado. No mesmo período de 2011, a oferta de crédito na Caixa Econômica Federal, no Banco do Brasil, no BNDES, no Banco do Nordeste e no Banco da Amazônia registrou um crescimento de 33,5%, segundo o Ministério do Turismo.

Boletim de Desempenho Econômico do Turismo, de outubro 2012, publicado pelo Ministério do Turismo brasileiro apontou que 77% empresas do setor previam ampliar seus investimentos no último trimestre do ano. Os dados do Ministério mostram ainda que, na comparação entre o faturamento do terceiro trimestre de 2012 e o obtido no mesmo período de 2011, verifica-se que para 50% do mercado ocorreu alta.

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