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Cauteloso, varejo atrasou projetos e resultados ficaram aquém do esperado

O ano 2012 foi marcado pela chagada de várias marcas estrangeiras no país. Nomes como Sephora, Topshop, Lavin, Gucci, Vans, Zara Home e Goyard desembarcaram no Shopping JK Iguatemi, em meio a uma confusão de falta de licença para a abertura do empreendimento, que rendeu até uma passeata de endinheirados. Paralelamente, a gigante do fast fashion, H&M, concorrente de marcas como C&A e Zara, estudou a estrutura logística, conversou com executivos, procurou terrenos. E apesar de trabalhar com um público diferente das grifes do JK, o objetivo da H&M é o mesmo: se beneficiar do novo poder de consumo da população, tão alardeado internacionalmente.

Pois apesar de tanta expectativa, o consumo não explodiu neste ano, muito menos as vendas. Os dados da Associação Brasileira da Indústria de Equipamentos e Serviços para o Varejo (Abiesv), mostram que a expectativa não se concretizou. A estimativa da Abiesv era fechar o ano com crescimento de 18% nas vendas, mas vai fechar o ano com algo perto de 12% de crescimento.

Segundo o presidente da entidade, o arquiteto Júlio Takano, as empresas foram conservadoras, esperando uma redução de consumo que não aconteceu. Mas houve também problemas estruturais. “O primeiro semestre foi muito ruim, com as empresas com medo de fazer investimentos. A partir de julho, quando perceberam que não haveria problemas, não dava mais para salvar o ano”, explica. Além disso, o arquiteto diz que muita gente já investe para melhorar os layouts de lojas. Isso porque alguns varejistas, no intuito de experimentar o mercado, trouxeram seus projetos “B” para o Brasil. “Mas o consumidor brasileiro é exigente e isso influenciou nas vendas ruins.”

Projetos se acumularam e, mais uma vez, os problemas de infraestrutura do Brasil fizeram com que muitos planos não saíssem do papel. Takano garante que 2013 será diferente. Além da expectativa de crescimento do país, há também um movimento muito grande de consolidação no varejo (ver ao lado).

Expor

O diretor da Expor Manequins, Marcos Andrade, concorda com Takano. “O primeiro semestre foi muito devagar”, comenta. A Expor prevê terminar o ano empatada com 2011, o que para Andrade não é um resultado ruim, visto a base alta de comparação do ano passado. “Manter esse resultado foi uma conquista”, comemora.

Andrade garante que o próximo ano não será assim. Lojas que ficaram na fila no segundo semestre vão conseguir ser inauguradas já no primeiro semestre de 2013. “Teremos muita abertura de shoppings, que vai ajudar a alavancar as vendas no Brasil”, explica.

No exterior, porém, Andrade afirma que a demanda continua acelerada. A Expor, que tem negócios no México, se prepara para abrir uma unidade na Colômbia. “Não sentimos nenhuma retração nas vendas no exterior.”

Quanto às estrangeiras, Andrade diz que a expansão depende de vários fatores. Para ele, algumas empresas vieram despreparadas, sem uma operação logística, preço e até mesmo produto adequado ao mercado brasileiro. “É como dizem, o Brasil não é para iniciantes e várias marcas ainda estão experimentando o mercado.”

A Topshop, exemplo, anunciou planos de abrir pelo menos mais duas lojas no país, ambas na vizinhança do Shopping JK Iguatemi. A primeira unidade, que estava prevista para setembro, será no Shopping Market Place, ainda sem data. E a segunda, no Shopping Iguatemi. A Sephora também inaugurou sua segunda loja no país em novembro, e como a Topshop, ficou nas vizinhas, no Shopping Morumbi. Já a tão esperada H&M, segundo fontes ouvidas pelo BRASIL ECONÔMICO, ainda tenta resolver a questão preço e logística para estrear no país.

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