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Marco Stefanini, presidente de uma das maiores empresas de TI do País, com receita de quase R$ 2 bi este ano, afirma que desoneração da folha não teve impacto na lucratividade

A indústria de tecnologia levou ao governo a proposta de desoneração da folha de pagamento e  esperava ter fortes ganhos de produtividade com a medida. Porém, nem todas as empresas estão sentindo, na prática, impactos positivos. "Nossa margem não melhorou", afirma Marco Stefanini, presidente da empresa de serviços de tecnologia Stefanini, uma das maiores do País. "Na verdade, ela até caiu um pouco em relação ao ano passado."

Stefanini:
Divulgação
Stefanini: "medida foi positiva para celetização do setor, mas não trouxe ganho em termos de lucratividade"

Stefanini não informou o lucro do grupo porque o balanço ainda não foi fechado. A empresa pretende abrir capital até 2015, mas ele acha difícil que o lançamento das ações aconteça já em 2013 "porque o mercado deve continuar difícil e a empresa precisa digerir as aquisições feitas neste ano".

Já era esperado que nem todas as empresas sentissem os efeitos da desoneraçāo porque seu benefício depende da relação entre a folha de pagamento e a receita da companhia. Porém, a Stefanini foi a primeira grande empresa - e grande empregadora, com 17 mil funcionários - a admitir que não obteve vantagens com o estímulo.

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Para José Silvestre, coordenador de relações sindicais do Dieese, no caso das empresas com faturamento muito alto, como o caso da Stefanini, que faturará quase R$ 2 bilhões em 2012, a tendência é que a medida não tenha impacto. Isso porque, na desoneração em folha, em vez de a empresa recolher os 20% de INSS sobre o salário de seus empregados, é descontado 2% do faturamento. 

Apesar de a desoneração da folha não ter impactado nos resultados da empresa, ele considera a medida positiva porque, num setor fortemente marcado pela informalidade, estimulou os concorrentes a contratarem os funcionários e evitarem o risco de processos na Justiça do Trabalho. Mas, na ponta do lápis, para a Stefanini não houve ganhos.

Para ele, é necessário avançar na modernização das leis trabalhistas, além da desoneração da folha. "Se a indústria está reclamando das leis trabalhistas agora [a Confederação da Indústria levou nesta quarta um pacote de sugestões para mudanças no marco regulatório], imagine para a área de tecnologia", diz. 

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A Stefanini chegou a R$ 1,9 bilhão em receita em 2012, com crescimento de 50% no ano anterior e 17 mil funcionários, em 30 países. O principal motivo para a alta na receita foi a aquisição da empresa de processamento de cartões de crédito Orbitall  do Itaú, que respondeu por metade do crescimento. Neste ano, a Stefanini também comprou a uruguaia Topaz e a Woopi, especializada em aplicações móveis, portais, games e redes sociais e que será o braço de inovação da Stefanini.

Para 2013, a expectativa de crescimento é menor, entre 12% e 15%. A Stefanini pretende fazer novas aquisições, tanto no Brasil, quanto no exterior, mas de menor porte. A empresa também investirá R$ 150 milhões na Orbitall, em três anos. 

A operação brasileira, que responde por 65% da receita da Stefanini, pretende avançar no próximo ano em cloud computing, mobilidade e Big Data, que é a gestão de dados da área de Inteligência de Negócios (BI). "Os clientes ainda desconfiam das soluções em cloud computing por não terem poder ou controle sobre seus dados, mas é uma realidade que tende a mudar com o passar do tempo", diz Monica Herrero, presidente da Stefanini Brasil. Também em serviços especializados prestados para os setores financeiros, de seguros, meios de pagamento, varejo, mineração e siderurgia, saúde e educação. 

Já para a Orbitall, os planos são transformar a empresa numa plataforma de serviços financeiros. "Seremos uma empresa diferente nos próximos anos", diz Stefanini. 

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