Tamanho do texto

Empresas prometem oferecer soluções para modernização da área de atendimento, ponto frágil do setor

Há um ano, a espanhola Everis, mais conhecida no país por seus serviços como integradora de sistemas nos setores de telecom e financeiro, decidiu ampliar os investimentos no Brasil na área de saúde, que hoje representa 10% da receita da consultoria.

A Everis não é a primeira espanhola a entrar no país de olho na medicina do futuro. A Antares Consulting foi escolhida pelo governo da Bahia para formatar o edital do novo projeto de Parceria Público Privada do estado, que visa interligar os 43 hospitais da rede e modernizar todo o sistema de imagem do estado, com a criação de uma central de laudos em Salvador. Outra espanhola que vem brigando por espaço no Brasil é a Telefônica Digital, braço da gigante de telefonia para saúde.

De acordo com Francisco Balestrin, presidente da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), a disputa das estrangeiras pelo mercado brasileiro mostra que na área da saúde, o país vive o fenômeno de “Belíndia”, com uma operação técnica de primeiro mundo, em meio a modelos de negócio de terceiro mundo.

“Nossa área de assistência não deve nada a ninguém, somos acreditados pelas principais órgãos internacionais, pelos mesmo padrões existentes lá fora”, explica ele. Porém, sob o ponto de vista de negócios, Balestrin afirma que as empresas têm dificuldade em se modernizar. “As soluções de financiamento são antiquadas, a remuneração do serviço prestado ainda é fracionada, e existe uma falta de oportunidade e aquisição de produtos mais adequados ao mercado.”

E a hora não seria mais oportuna. Com a mudança do perfil de envelhecimento da população, tanto hospitais como planos de saúde terão de se adaptar. E o Brasil está atrasado quando em comparação com Estados Unidos e Europa. “Muitas doenças terão de ser tratadas em casa, de forma ambulatorial. A telemedicina é uma das saídas. Mas para isso, precisamos de um controle maior das informações sobre a saúde das pessoas”, diz Balestrin.

Produtos para atender a estas demandas já existem e estão em operação em outros países, como na Espanha. “Com envelhecimento da população, países como a Espanha já estão avançados na modernização dos sistemas”, afirma Vicente Olmos Fernández-Corugedo, sócio da Everis Saúde no Brasil. “O problema de modernizar a saúde é global. Nenhum país tem mais de 5% da saúde informatizada”, lembra ele, citando a séria questão do sistema americano, onde já se discute a possibilidade de utilização em humanos de microchips de radiofrequência para guardar as informações médicas.

“O nível de informatização no Brasil avançou muito nas áreas não assistenciais, mas não no relacionamento paciente-médico”, diz. Para atender essa demanda, a empresa trouxe ao país o ehCOS, um conjunto de soluções de software (próprias e de terceiros), que promete transformar a forma de se construir soluções para os negócios de saúde. O sistema foi customizado para os países da América Latina, a fim de apresentar um preço competitivo no mercado local.

Trata-se de soluções de prontuário eletrônico de pacientes, sistema capaz de apoiar a atividade de codificação dos diagnósticos, desenvolvimento de aplicativos para redes sociais.

Leia mais notícias de economia, política e negócios no jornal Brasil Econômico

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.