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Alimentos e combustíveis surpreenderam e colaboraram com bens duráveis para sustentar comércio

Embalado pelo resultado do terceiro trimestre, o varejo fechará o ano com resultados acima do previsto, aponta estudo da Tendências Consultoria, que revisou de 7,6% para 8,2% o crescimento projetado para o setor.

A previsão se refere ao conjunto de segmentos abrangidos pelo índice restrito da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O que tem mais peso — representa metade do indicador — é o de mercados, alimentos e bebidas, que teve expansão de 7,6% no trimestre passado, acima do esperado. “Foi o principal motivo para a revisão”, diz Mariana Oliveira, economista responsável pelas análises de varejo da Tendências. Para o ano, a projeção de crescimento foi de 7,7% para 8,3%.

Outro segmento que superou as expectativas foi o de combustíveis e lubrificantes, que responde por 14% no índice restrito: marcou 9,5% no terceiro trimestre e, para o ano,teve projeção elevada de 5,8% para 6,8%.

A maior expansão no trimestre (11,4%) e no ano (12,4%) cabe a móveis e eletrônicos, turbinado pela redução nas alíquotas do Imposto sobre Produção Industrial (IPI). Mas o número veio em linha com o esperado.

A decepção foi o setor de vestuário e calçados, para o qual se esperava trajetória ascendente mais acentuada. Ainda assim, a estimativa para este ano foi elevada de 3% para 3,9%.

Índice ampliado

No índice ampliado da PMC, que considera o índice restrito (peso de 61%), veículos (peso de 34%) e materiais de construção (5%), a expansão foi de 9,3% no terceiro trimestre, pressionada pela venda de carros (alta de 11,2%), que teve grande volatilidade devido à redução de IPI e dúvidas sobre a manutenção do benefício.

As vendas de materiais de construção tiveram primeiro trimestre forte (13,4%), mas caíram depois e só agora estão sendo retomadas. A previsão para este ano foi reduzida de 8,5% para 7,2%. Para este ano, o indicador ampliado vai a 12,4%. No ano que vem, deve cair para 6,3%.

Com maior poder de consumo, os brasileiros entraram nos mercados em busca de novidades e produtos de maior valor agregado, movimento percebido pelas empresas, que buscam se adaptar. “O aumento de renda beneficiou o setor. Com orçamento maior, o consumidor passou a conhecer novos produtos, principalmente novidades como energéticos ou marcas de cervejas premium”, diz Douglas Costa, diretor de mercado do Grupo Petrópolis. “Hoje, o desafio é criar produtos e embalagens que atendam aos anseios dos novos consumidores — a classe C em ascensão.”

O fenômeno se repete em alimentos, diz Clever Pirola Ávila, presidente do Sindicato das Indústrias da Carne e Derivados de Santa Catarina (Sindicarne). “As pessoas não vão mais ao açougue. Agora, optam por algo pré-assado ou pré-cozido.”

E o ticket sobe ainda mais no fim do ano, aponta: “O segundo semestre é o melhor para a venda de carnes por conta do 13º salário, que eleva o poder de compra das família e permite o consumo de alimentos tipicamente preparados no final do ano.”  Colaborou Cristina Carvalho

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