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Varejista começa hoje a comercializar leitor eletrônico da Kobo por R$ 399 para impulsionar e-books

A Livraria Cultura dá início hoje a sua mais nova aposta para elevar as vendas de livros eletrônicos no país. A rede começa a comercializar o e-reader da fabricante Kobo, um dos concorrentes do Kindle, da Amazon, e se torna a primeira parceira da companhia canadense no Brasil. Os dispositivos, que custam R$ 399, serão entregues aos consumidores a partir do dia cinco de dezembro.

O aparelho dá acesso a um catálogo de 12 mil títulos em português que, segundo Sérgio Herz, presidente da Livraria Cultura, são entre 20% e 30% mais baratos que as versões em papel. “Respeitamos o preço estabelecido pelas editoras”, diz.

Ele admite que ainda há certa cautela das editoras nacionais com relação a este formato. “Elas têm que fazer investimento para disponibilizar as obras digitais e querem retorno, mas o mercado ainda é pequeno”, afirma. A expectativa, no entanto, é de crescimento.

Herz não abre números sobre as vendas atuais de livros digitais na Livraria Cultura, mas dados do mercado americano mostram o potencial deste formato. Lá, as vendas de livros eletrônicos responderam por 15% do mercado no ano passado, ante 6% em 2010.

Mesmo com as perspectivas de crescimento, Sérgio Herz não teme que as vendas das versões digitais, mais baratas, possam atrapalhar a comercialização de livros convencionais. “Não existe uma briga entre o e-book e o físico, o que queremos é que o brasileiro leia mais, não importa onde. O que importa é vender mais livros”, diz.

A parceria entre Livraria Cultura e Kobo não é exclusiva mas, de acordo com Sérgio Herz, quanto mais lojas venderem o produto, melhor. “Nosso foco é conteúdo”, afirma. Todd Humphrey, vice-presidente de desenvolvimento de negócios da Kobo, explica que a empresa vai analisar outras parcerias, mas esta é a principal.

Esta não é a primeira vez que a Livraria Cultura Em 2009, a rede chegou a fazer parceria com outra fabricante, a Positivo, para vender o Alfa, leitor eletrônico da fabricante de PCs. Agora, depois de desistir do e-reader nacional, afirma ter encontrado “a melhor opção que existe hoje”, segundo Pedro Herz, presidente do conselho de administração da varejista. De acordo com a Positivo, o Alfa continua sendo vendido em outros canais como o Extra.

Kobo

A entrada da Kobo no Brasil faz parte da estratégia da japonesa Rakuten de crescer no país. A canadense foi vendida no ano passado para a japonesa por US$ 315 milhões. A Rakuten anunciou recentemente que quer fechar contrato com mais 700 varejistas até o final deste ano em seu portal brasileiro de comércio eletrônico, que engloba hoje vendas de mais de 90 redes de lojas. Atualmente a empresa é a terceira maior varejista online do mundo e tem valor de mercado de US$ 14 bilhões.

Além da parceria com a Livraria Cultura, em setembro a Kobo contratou sua primeira funcionária no Brasil, Camila Cabete, como responsável pelas relações com as editoras. Camila vem da Xeriph, distribuidora nacional de conteúdo digital. “O Brasil é muito importante no mercado de e-readers”, diz Humphrey.

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