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Para sindicato, demissão de tripulantes foi feita de forma “covarde”; especialistas criticam compra e apontam crise do setor

Com a demissão de 850 funcionários da tripulação — incluindo comandantes, co-pilotos e comisários —, a Gol anunciou na sexta-feira o último suspiro da WebJet. Paulo Kakinoff, presidente da Gol, alegou que as operações da subsidiária, adquirida em 2011, eram de alto custo e baixa rentabilidade, inviabilizando sua continuidade.

Segundo o executivo, cerca de 450 funcionários de aeroportos serão integrados à Gol, enquanto outros 250, em período de licença, permanecerão na fase transitória que deve durar até o final do ano, quando a marca WebJet deixará de existir.

Fontes ligadas ao setor afirmaram ao BRASIL ECONÔMICO que há alguns dias, uma reunião entre a direção da companhia com os funcionários garantiu que haveria um plano de demissão gradual e incentivado, a fim de não causar transtornos maiores. “Mas isso não foi colocado em prática e boa parte dos colaboradores acabaram demitidos.”

Já o Sindicato Nacional dos Aeronautas explica que a conversa com os funcionários foi um pouco diferente e deixou clara que não haveria nenhuma demissão em massa, mas sim dispensas pontuais. Graziella Baggio, diretora da entidade, classificou a decisão da companhia de “covarde”. “Eles comunicaram os funcionários na madrugada, sobre a reunião para o anúnico e não buscaram o diálogo com o sindicato”. Agora, a entidade reúne informações para tomar tentar reverter o quadro.

A WebJet se popularizou no mercado com modelo de vendas de passagens a preços baixos — algo que no passado, a Gol também tentou praticar quando da sua chegada ao mercado em 2000. Ao que parece, a história se repete. Em março de 2007, a Gol anunciava a compra da Varig por US$320 milhões. A companhia comprada, com a saúde financeira comprometida, foi integrada à nova proprietária, o que gerou a demissão de parte de seus funcionários. Na época, a Gol alegava o corte de custos e a baixa rentabilidade da companhia entre os principais motivos para as demissões.

Para o especialista em aviação Jorge Leal, a manobra de descontinuação da WebJet indica o interesse da Gol nos slots (vagas nos aeroportos) da empresa. Graziella concorda e questiona o processo de avaliação da compra. “Os órgãos reguladores deixaram de avaliar os riscos não só para os funcionários, mas para os passageiros”.

A Gol também anunciou redução entre 5% e 8% na oferta de assentos. Para Leal, isso é resultado da demanda mais baixa do que o previsto. Com isso as companhias precisam se adequar à realidade, em um momento em que cortar custos é palavra de ordem entre as companhias. “A demanda tem aumentado, mas não na velocidade esperada pelas empresas.”

Para ele, o fim das atividades da WebJet também marca o fim da única companhia que operava com tarifas a preços reduzidos. Além de ser ruim para a concorrência de mercado, o fim da companhia surtirá efeito no bolso dos passageiros, “que terão de desembolsar mais para voar, ou deixar de voar”.

Para Hildebrando Hoffmann, coordenador do curso de engenharia aeronáutica da PUC-RS, o fim da WebJet reduz a competitividade aponta a situação caótica da aviação civil. “Um setor estratégico para o país, aos poucos está indo para as mãos de grupos estrangeiros”, diz, referindo-se às fusão entre LAN e TAM e as especulações sobre a venda da Gol para a Delta.

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