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Já há registro de perdas com os 17 principais parceiros comerciais, entre eles, China, Argentina e Alemanha

O fraco desempenho da economia mundial, agravado pela crise financeira dos países da zona do euro, segue comprometendo as exportações brasileiras em 2012. Dados do Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior (Mdic) mostram que no período de janeiro a outubro deste ano as vendas totais recuaram quase 5% em relação ao mesmo período do ano anterior, ao saírem da casa dos US$ 212,1 bilhões, para os atuais US$ 202,3 bilhões.

Segundo o presidente da Associação Brasileira de Comércio Exterior (AEB), José Augusto de Castro, esse cenário não deve ser revertido, o que acarretará uma perda de 5% para o saldo da balança comercial. “A nossa estimativa é de fecharmos o ano com um saldo de US$ 242 bilhões”, aponta. Em 2011, a balança somou US$ 256 bilhões.

Para o ex-secretário da Fazenda, Júlio Gomes de Almeida,além da crise internacional, existe uma combinação de outros fatores que agravam o quadro do comércio exterior brasileiro. Ele cita, como exemplo, a queda nos preços da commodity metálica — minério de ferro — e a guerra cambial entre países. “A China está sofrendo uma retração em sua economia, afetando o preço das commodities. Como se não bastasse, assim como a Argentina, o Brasil é uma das nações que passa a impor restrições à entrada de produtos estrangeiros”, observa o especialista, ao apontar que, nesse cenário de crise, ações como essa só tendem a prejudicar as vendas nacionais.

Segundo Gomes, medidas de protecionismo geram efeitos positivos apenas momentaneamente e após o período de crise, os produtos tendem a se tornar pouco competitivos no mercado externo.

“Isso acontece porque um mercado fechado leva à perda de investimento em inovação e tecnologia. Precisamos ficar atentos a isso”, destaca Gomes,observando que o Brasil já passou por situação semelhante nos últimos 40 anos.

Dados do Mdic mostram que o Brasil apresenta nesse período de 10 meses uma queda média de 20% em suas exportações entre seus 17 principais parceiros comercias, em que se observa China, Argentina, Japão, Alemanha (veja relação completa abaixo), enquanto que em igual período do ano anterior não houve variação negativa.

“Esse cenário, apesar de ser ruim, não é alarmante do ponto de vista das contas externas brasileiras. Ainda temos um grande fluxo de entrada de capital estrangeiro no país”, diz.

O professor de comércio exterior da Fundação Getúlio Vargas Management Evaldo Alves também considera negativo o fato de o Brasil tomar medidas protecionistas.

Segundo ele, esse tipo de ação abre brechas para que os próprios parceiros comerciais, que sofrem com as sanções, passem também a fechar suas portas aos produtos brasileiros. “Se o parceiro não é confiável, fazer negócios começa a ficar complicado”, aponta.

Outro ponto destacado por Evaldo Alves é o fato de a competição no mercado internacional estar ocorrendo agora entre nações emergentes. “Brasil e China são, por exemplo, parceiros e rivais. Por isso, não é recomendável criar tantas restrições. Elas trarão consequências”, alerta.

Para ele, a saída será o Brasil tentar melhorar sua competitividade com outros países. “A nação já está tentando, mas não consegue por conta da falta de competitividade de seus produtos, sem contar que o cenário externo está pior do que em 2011”. finaliza Alves.

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