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Administradora brasileira de hotéis vai inaugurar 48 empreendimentos no Brasil nos próximos dois anos

Enquanto os investimentos em grandes capitais para dar suporte às Olimpíadas e à Copa do Mundo tomam conta dos noticiários, a área hoteleira descobre que estar fora do eixo Rio-São Paulo pode fazer a diferença no fechamento das contas. A operadora nacional Atlantica Hotels International é um exemplo. Alheia a modismos, a empresa vai inaugurar 48 hotéis até 2014, com investimentos de terceiros que chegam a US$ 1 bilhão.

“Desde o início de nossa operação estabelecemos a estratégia de voltar os negócios para o interior. As concorrentes até nos chamavam de loucos. Elas se esquecem que existe vida fora de São Paulo e do Rio. Mas entendemos que, no final do dia, o nosso negócio, nosso business é justamente atender hóspedes de negócios não lazer”, afirma Paul Sistare, presidente da operadora ao BRASIL ECONÔMICO.

O empresário garante que essa estratégia vem levando a empresa a crescer acima do mercado. Neste ano, o faturamento da Atlantica deve chegar a R$ 700 milhões, um crescimento 12% em relação ao ano anterior. “Em 2011 obtivemos uma receita recorde, cerca de R$ 500 milhões, o que representou um aumento de 28% sobre 2010. Esse é o segredo de nossa expansão, estar fora do eixo Rio-São Paulo. No final do dia quero dinheiro no meu bolso", afirma o empresário.

E não é só para a operadora que a estratégia de focar no interior é mais rentável. Para os investidores da companhia o retorno de um empreendimento fora de São Paulo e do Rio também é maior. Uma peculiaridade da hotelaria brasileira é que ao invés de um dono único, a grande maioria dos hotéis é construído em acordo com uma construtora e fatiado em flats para serem vendidos à investidores individuais. No interior, Sistare afirma que o retorno desse investimento é de no máximo 90 dias, a partir da data de inauguração. Em empreendimentos no eixo Rio-São Paulo, esse retorno pode variar até três anos.<EN>

Estratégia de expansão

Com os novos hotéis, a operadora vai elevar o total de ativos administrados dos atuais R$ 4 bilhões para R$ 5,75 bilhões. O interessante é que a empresa não tem em sua estratégia de crescimento nenhum hotel previsto para atender à demanda da Copa do Mundo de 2014.

“Não estamos com foco na Copa. Durante os 60 dias do evento será ótimo, mas e depois? Ou até mesmo antes? Como sustentar um hotel em cidades que não tem demanda para isso? Nossa estratégia sempre foi ir aonde o dinheiro está. E no caso brasileiro, é fora das cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro”, afirma Sistare.

Piracicaba

Piracicaba, no interior de São Paulo, é uma das cidades que estão na mira de Sistare. Com a ida da coreana Hyundai para lá, muitas empresas estão se instalando no entorno da fábrica. Somente de fornecedores coreanos serão nove dentro do parque industrial. Ao todo, 20 autopeças foram para a cidade atraídas pela Hyundai. Em função disso, a Atlantica vai inaugurar no ano que vem o seu segundo hotel na cidade.

“A taxa de ocupação lá, para se ter uma ideia, é de 100%. A maior parte dos hóspedes são coreanos. Esses executivos não querem ficar hospedados em São Paulo, rodar por mais algum tempo para uma reunião de negócios. Eles querem estar perto de seu destino”, afirmou o executivo.

Atualmente, a rede tem 77 hotéis em operação e dois centros administrativos, com total de 10.323 apartamentos, em 41 cidades brasileiras. As aberturas até 2014 elevarão a oferta da companhia em 7 mil unidades e ampliará a presença em 16 novas cidades, elevando para 53 destinos diferentes.

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