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Após convencer americanos a adaptar cardápio e a tornar espaço mais receptivo a famílias, sócios abrem lanchonetes em shoppings e começam a planejar ida ao Rio e a Minas

Modelos da cadeia de restaurantes Hooters: no Brasil, menos apelo esportivo e mais espaço para mulheres e crianças
Rodrigo Farah/iG
Modelos da cadeia de restaurantes Hooters: no Brasil, menos apelo esportivo e mais espaço para mulheres e crianças

Um curso com técnicas para aprender a se livrar educadamente de cantadas indesejadas. Em um ambiente em que 65% das 900 pessoas que passam diariamente são homens, esse tipo de treinamento é quase uma questão de sobrevivência para as mulheres. Não é a toa, portanto, que esse seja um dos principais pontos apresentados durante o treinamento das garçonetes que trabalham na rede de restaurantes americana Hooters, famosa pelo atendimento feito por garotas em roupas desenhadas sob medida para realçar os atributos físicos e pelos telões ligados em partidas esportivas espalhados por todas as paredes. “Esses elementos contribuíram para a marca ter uma relação profunda com o público masculino. Mas agora está sendo feito um trabalho para modernizar e atrair mais mulheres para os restaurantes”, afirma Marcel Gholmieh, presidente da operação brasileira do Hooters.

Parte importante do processo de modernização da marca passa pelo Brasil. Desde que Gholmieh assumiu a unidade brasileira, em 2010, a operação tem incluído pequenas mudanças sobre o padrão americano, como a adaptação do cardápio e a criação de um espaço dedicado às crianças, tornando o ambiente mais receptivo às famílias. “A operação dos americanos era muito engessada e convencer eles de que seria interessante fazer esse tipo de adaptação foi uma luta”, diz o executivo. “Mas o resultado agradou.”

Antes de Gholmieh e seu sócio, Bruno Laporta, se tornarem os responsáveis pela marca no Brasil, a rede já tinha tentado entrar no mercado nacional. O projeto, iniciado em 2002, não caiu no gosto dos brasileiros e as duas unidades existentes foram fechadas quando Gholmieh e Laporta assumiram o negócio. “Resolvemos deixar a marca ‘descansar’ um pouco para ver o que podíamos fazer”, afirma Laporta. A primeira unidade aberta pelos dois foi na Vila Olímpia, região de São Paulo que reúne escritórios e bares e restaurantes badalados. “Com as adaptações, a escolha do ponto é um dos segredos para garantir o sucesso dos restaurantes”, diz Gholmieh.

Com a descoberta do sistema que agrada o consumidor brasileiro, os sócios resolveram, este ano, investir na expansão. Foi aberta uma unidade no Shopping Plaza Mooca, em São Paulo, e no próximo ano a rede deve chegar a outros estados, como Rio de Janeiro e Minas Gerais. “A dificuldade de encontrar bons pontos nos levou para dentro dos shoppings, que também é algo que os americanos não gostam muito, mas que combina com o perfil do brasileiro”, afirma Laporta. Com as novas unidades, a rede espera dobrar o faturamento que obteve este ano, de R$ 13 milhões.

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