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Analista acredita que redução do preço para o show da Lady Gaga não deve afetar receita da companhia

A Time For Fun (T4F) tem enfrentado duros problemas nos últimos meses e que já somam no ano um redução de R$ 20,8 milhões no volume de mercado, atualmente em R$ 772,6 milhões. A empresa que perdeu o contrato do Cirque du Soleil, responsável por 12% da receita da companhia, para a IMX Arts, do empresário Eike Batista, agora enfrenta um cenário de fracas vendas dos ingressos das cantoras Lady Gaga e Madonna.

É que de acordo com informações do jornal O Dia, até o momento cerca de 14 mil ingressos teriam sido vendidos para o show de Lady Gaga que acontecerá hoje no Parque dos Atletas, no Rio de Janeiro, local que tem capacidade para 90 mil pessoas. Um pouco mais à frente, Madonna, que se apresentará no mesmo local, em dezembro, vendeu até o momento 15 mil.

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Fernando Alterio, presidente da T4F, chegou a afirmar no início de outubro ao BRASIL ECONÔMICO que os eventos realizados no quarto trimestre serão responsáveis por quase 60% da receita anual da empresa. “Estamos tentando diminuir o efeito da sazonalidade que enfrentamos, principalmente com os meses de janeiro e fevereiro apresentando pouca receita.”

A empresa registrou um lucro líquido de R$ 12,5 milhões no terceiro trimestre, com um recuo de 29% ante o mesmo período do ano anterior (veja box abaixo).

Mesmo com o fraco desempenho das vendas dos ingressos, a equipe de analistas da XP Investimentos tem uma visão otimista da empresa e acredita que o preço alto dos shows, que varia entre R$ 90 a R$ 850, pode ter sido uma estratégia da companhia de atingir receita acima do esperado, acreditando em uma demanda forte pelo primeiro show de Gaga no Brasil. “Caso o valor do ticket médio não seja tão expressivo quanto a empresa espera, ele pelo menos deve atingir patamares semelhantes ao visto no mesmo período do ano anterior”, destaca o analista Diego Muniz que mesmo assim não acredita em perdas de margens. No quarto trimestre de 2011, a T4F viu o tíquete médio no segmento música ao vivo ficar em R$ 124.

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E para não ficar com os ingressos na mão, a T4F utilizou de diversas estratégias comerciais, como parcelamento dos convites, venda por meio de sites de compras coletivas e até o “pague um e leve dois”.

Para João Luiz Figueiredo, coordenador do núcleo de economia criativa da ESPM-RJ, um dos fatores que podem penalizar a receita da empresa é a proximidade entre os shows das artistas que não chega a 30 dias de diferença.

“Isso fez com que o público tivesse que escolher entre os eventos.” Porém Figueiredo afirma que na disputa por ingressos, Madonna leva a melhor. “O público da cantora é mais velho e tem condições de pagar o valor cobrado, diferente daqueles que tem a intenção de ir na Lady Gaga, e que na maioria são jovens.”

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Mesmo assim, o coordenador da ESPM ressalta que a venda de ingressos não é o único fator decisivo em eventos de grande porte. “Existe a receita de patrocínio que tem fator importante para a companhia.” Procurada a T4F não quis comentar o assunto.

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