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Executivo, que subiu o Morro da Rocinha para inaugurar loja, se diz satisfeito com acordo com Pão de Açúcar

O presidente do Conselho de Administração da Viavarejo, Michael Klein, não abre mão de uma de suas atividades favoritas: acompanhar a inauguração de lojas da Casas Bahia pelo Brasil. Ontem, Klein subiu o morro da Rocinha no Rio de Janeiro para abrir a 559ª da rede de eletroeletrônicos, a primeira em uma área pacificada na capital fluminense. “Na verdade, é a terceira vez que subo o morro. Vim procurar terreno e ver o imóvel”, brincou o empresário, alheio à crise societária que se passa na empresa.

No dia 22 de novembro, com a saída de seu filho, Raphael Klein da presidência da Viavarejo — holding que agrega as marcas Casas Bahia e Ponto Frio —, pela primeira vez na história da rede de varejo, a família Klein não estará à frente dos negócios. Aliás, a troca de comando acontece exatamente no mês em que a Casas Bahia faz 60 anos.

“Quando assinamos o contrato, sabíamos que isso ia acontecer e que alguém do mercado iria assumir a empresa. Foi nossa opção. E no conselho será a mesma coisa, tenho um contrato de seis anos”, afirmou o empresário, que não está participando da escolha do novo presidente da Viavarejo. “Não daremos nenhuma indicação, a nomeação do novo executivo está a cargo do Grupo Pão de Açúcar”, ressalta.

Em entrevista ao BRASIL ECONÔMICO, Michael Klein refutou questões sobre a crise institucional da companhia. “Não tenho nada o que comentar. O contrato (feito com o Grupo Pão de Açúcar) foi bom para nós, não queremos nenhuma mudança”, afirmou, apesar de informações amplamente divulgadas de que os acionistas da família Klein pediram revisão nas demonstrações financeiras da Globex, controladora do Ponto Frio, uma vez que acreditam que possíveis erros podem ter modificado os termos de troca entre as ações da Globex e Casas Bahia. No acordo original, o Grupo Pão de Açúcar detém 53% da Viavarejo e a família Klein, os 47% restantes.

Novo alvo

À parte a crise, Michael Klein está focado nas novas oportunidades de mercado para a Casas Bahia. E as favelas pacificadas no Rio de Janeiro são um alvo em potencial. “Vejo oportunidade para abrir lojas em todas as comunidades pacificadas”, afirma Klein, que inaugurou ontem uma loja com 1,4 mil metros quadrados e cerca de 50 colaboradores na Rocinha — a maioria dos funcionários, inclusive, são moradores da Rocinha. “Alguns funcionários pediram transferência de outras lojas, pois moravam na comunidade”, afirma Klein, que já assinou contrato para abrir uma unidade da Casas Bahia no Complexo do Alemão, no primeiro semestre do ano que vem.

A Casas Bahia não é a única de olho nos 22 territórios que ganharam unidades de polícia pacificadora (UPP) no Rio, onde moram pelo menos 400 mil pessoas, segundo dados da Prefeitura. Em outubro do ano passado, a Ricardo Eletro abriu uma loja na Rocinha e prevê inaugurar outra unidade no Complexo do Alemão em 2013. A Casa & Vídeo também conta com lojas no Alemão, em Santa Marta e na Mangueira.

Klein garante que não há diferenças em trabalhar em comunidades pacificadas e outras regiões. “Temos experiência de atuação na favela Paraisópolis, onde montamos uma loja há quatro anos, em São Paulo e nesse período tivemos dois problemas com assalto. A estatística é pior em alguns bairros nobres da cidade de São Paulo”, afirma o empresário, que está de olho em imóveis para abrir uma loja também na favela de Heliópolis, também em São Paulo.

A principal diferença entre lojas de bairros mais ricos está na forma de conceder o crédito. De acordo com o empresário, a demanda por crédito nestas regiões é superior à média da rede. “Tivemos fila no crediário no primeiro dia de operação. Isso considerando que várias pessoas já eram clientes da Casas Bahia”, conta.

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