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Setor deve apostar em melhoria operacional e na transformação do varejo físico em centros de lazer e entretenimento, não apenas de compras, diz o presidente Carlos Medeiros

Reuters

O aumento da concorrência e o crescimento acelerado do comércio eletrônico devem representar alguns dos maiores desafios a serem enfrentados pelo setor de shopping centers nos próximos anos, a fim de manter o ritmo de expansão visto até agora.

"Temos visto aumento significativo no número de desenvolvimento de projetos, deixando o mercado mais concorrido", afirmou o presidente-executivo da BR Malls, Carlos Medeiros, em evento da associação brasileira de shopping centers, Abrasce, nesta terça-feira.

O segmento de shopping centers deve fechar este ano com 31 empreendimentos inaugurados. Para 2013, estão previstos 45 novos shoppings, totalizando 505 no país.

O aquecimento do comércio eletrônico, cujas vendas vem crescendo a taxas robustas, também preocupa o setor, segundo o executivo.

"Temos um desafio grande em comércio eletrônico. Não sabemos o tamanho desse desafio, mas as vendas online tem crescido mais rápido que as de shoppings", disse.

Para contornar tal cenário, Medeiros citou a necessidade de o setor apostar em melhoria operacional e na transformação do varejo físico em centros de lazer e entretenimento, não apenas de compras.

"O fortalecimento das redes de varejo vai ser fundamental para o desempenho do setor daqui para frente", assinalou, mencionando que, até 2014, o número de pessoas pertencentes a classe média deve crescer em 20 milhões.

Medeiros citou ainda, entre os desafios, a dificuldade cada vez maior de se aprovar novos projetos em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, o que deve resultar em um movimento de entrada em novas cidades.

"A aprovação de projetos também será um dos maiores desafios do setor... a burocracia não caminhou tão rapido quanto o desenvolvimento do setor", disse o executivo, que aposta na tendência de consolidação como umas das formas de o setor não perder força.

"Acredito em consolidação, em maior concentração de empresas", afirmou, acrescentando que, hoje, os três maiores administradores de shoppings do país detêm apenas 24 por cento do setor.

"As vendas de shoppings nunca caíram no Brasil e todos os anos subiram três vezes mais que a média do PIB, desde 1995... mas será preciso vencer desafios para manter esse ritmo", disse Medeiros.

A BR Malls, maior administradora de shoppings do país, tem participação em 47 empreendimentos.

(Por Vivian Pereira)