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Independentemente da fortuna de US$ 823 milhões, piloto alemão terá que se reinventar para gerar negócios no pós-carreira

Brasil Econômico

Schumacher anuncia sua nova aposentadoria da Fórmula 1
Getty Images
Schumacher anuncia sua nova aposentadoria da Fórmula 1

Hexacampeão mundial de Fórmula 1, o piloto Michael Schumacher anunciou ontem que irá se retirar das pistas ao final desta temporada, sendo que sua última corrida será no Grande Prêmio do Brasil, em Interlagos, no próximo mês. Essa é a segunda vez que o maior campeão da categoria se aposenta, fato que o coloca ao lado de lendas do esporte como Michael Jordan (basquete), Andre Agassi (tênis) e Pelé (futebol).

Todos da lista voltaram a desempenhar suas atividades em alto nível mesmo depois da pausa em suas carreiras. Entretanto, o potencial para gerar negócios com suas atuações ficou prejudicado. 

Para Gilson Nunes, diretor-presidente da consultoria Brand Finance América Latina, o atleta terá muita mídia espontânea em sua volta, mas seu retorno financeiro será bem mais limitado. “Nesses casos, o patrocinador irá pensar no curto prazo na hora de investir. Dificilmente ele entrará na estratégia de uma marca”, comenta ele, que coloca um “ex-atleta” no mesmo nível que um evento na visão da empresa. “O patrocinador não consegue colocá-lo em um plano de longo prazo”, completa.

Pós-carreira

Independente da fortuna que Michael Schumacher conseguiu em sua carreira, algo em torno de US$ 823 milhões, segundo a o jornal britânico “The Sunday Times”, o maior campeão da Fórmula 1 terá que acelerar muito no mundo dos negócios para chegar perto do patamar alcançado por Pelé.

Em uma rápida avaliação, Nunes aponta que o potencial para gerar negócios do maior jogador de futebol de todos os tempos gira na casa dos R$ 300 milhões, enquanto que Schumacher não passa dos R$ 30 milhões.

“O Pelé conseguiu fazer dele uma marca que é muito desejada pelas empresas. Já o Schumacher não conseguiu, até o momento, fazer algo parecido”, diz o diretor-presidente da Brand Finance.

Imagem é tudo

Entre os fatores para continuar em alta no mundo dos negócios mesmo após a aposentadoria está a imagem construída pelo atleta. “A sociedade tem que identificar valores nele para ter sucesso. E o principal para isso é ser legítimo, mesmo tendo que se reinventar no pós-carreira”, diz Paulo Velasco, sócio-diretor da Raí+Velasco, empresa que gerencia a carreira do ex-jogador de futebol Raí. Ele cita como exemplo o ex-jogador inglês de futebol Eric Cantona, que era polêmico dentro de campo e que hoje mantém uma carreira bem sucedida no cinema.

Com seu cliente e sócio, Velasco afirma que o bom retorno comercial foi obtido de forma natural. “O Raí sempre teve projetos muito bem planejados”, disse.