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Casal Régis e Ghislaine Dubrule vende ao fundo de investimento Carlyle a rede de móveis modulares que começou em São Paulo e se tornou um império em 12 Estados

Móveis modulares deram fama à Tok & Stok
Divulgação
Móveis modulares deram fama à Tok & Stok

Da faculdade de Ciência Política na França para o Brasil. Para uma loja de móveis na zona oeste de São Paulo. Para o Rio de Janeiro. Para 18 cidades em 12 Estados. A trajetória no Brasil da do casal Régis e Ghislaine Dubrule à frente da Tok & Stok iniciada 34 anos ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira após o fundo Carlyle pagar cerca de R$ 700 milhões pela maior rede de lojas de móveis e acessórios para casa do Brasil.

Régis é irmão de Paul Dubrule, cofundador da rede francesa de hotéis Accor, e chegou ao Brasil em 1975. Passou pela Placas Paraná, controlada pelo grupo Louis-Dreyfus e, em 1978, deu a largada com Tok & Stok.

O casal criou a primeira loja em São Paulo com uma estratégia nova de móveis modulares em um mercado acostumado a comprar peças em conjunto. Aliaram-se a estilistas europeus, passaram a oferecer móveis do designer Philippe Stark e a famosa poltrona Len Niggelman. Dos 400 metros quadrados da primeira loja, passaram a 6 mil metros quadrados nas mais recentes megaunidades da rede

A família Dubrule vendeu o controle da Tok&Stok por duas razões: queria um sócio para investir no crescimento da operação e resolver de uma vez a sucessão familiar. A venda também libera a o patrimônio de Régis, Gislaine e seus cinco filhos, quase todo aplicado na empresa.

“Em aproximadamente dois anos, teremos um profissional do mercado no comando e a família estará no conselho”, diz Régis. Os Dubrule tentaram abrir o capital da Tok & Stok anos atrás, mas o plano foi atropelado pela crise de 2008.

Nova organização

Os Dubrule vão continuar a integrar a direção da empresa, Régis vai para o conselho e a mulher Ghislaine assume a presidência da empresa. A ideia é preparar a companhia para abrir o capital na bolsa.

“Por ser bem organizada e já ter grande porte, a Tok & Stok pode estar pronta em um ano. Vamos depender das condições do mercado”, afirma Daniel Sterenberg, diretor do Carlyle no Brasil. Segundo a Agência Estado, o casal Régis e Ghislaine avaliou a sério três propostas e desde junho negociavam exclusivamente com o Carlyle.

Os recursos para esse investimento são provenientes do fundo Carlyle South America Buyout Fund, com ativos superiores a US$ 775 milhões (R$ 1,55 bilhão), e do fundo FIP Brasileiro de Internacionalização de Empresas (FBIE), com ativos superiores a R$ 360 milhões e assessorado conjuntamente pelo Carlyle e pelo Banco do Brasil. A transação está sujeita a aprovação do CADE.

Para o consultor Eugenio Foganholo, a gestão do Carlyle exigirá mudanças e será mais profissional. "Os franceses tiveram uma ideia brilhante, um conceito totalmente diferenciado e tinham condições de expandir muito mais a rede". Segundo o especialista, a Etna é o concorrente direto, mas a pulverização do mercado também pode ser considerada mais uma oportunidade para a Tok & Stok.

Plano de expansão

O plano agora é dobrar as vendas da empresa nos próximos cinco anos. As atenções estarão voltadas às regiões Sul e sobretudo, Nordeste - onde a empresa tem hoje a maior concentração de vendas por metro quadrado, mas apenas três lojas para atender essa demanda.

O Carlyle, por sua vez, enxerga um grande potencial no mercado brasileiro de móveis. Enquanto o consumo per capita no Brasil é de US$ 50 ao ano, em países como Canadá, Japão e Estados Unidos esse valor fica entre US$ 200 e US$ 300. Essa é a sexta compra do Carlyle no País: já investiu na CVC, operadora de turismo; Qualicorp, administradora de benefícios; Scalina, fabricante e varejista de lingerie; Ri-Happy, varejista de brinquedos; e Grupo Orguel, empresa de locação de equipamentos.

* Com informações da Agência Estado