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Volume de ativos despencou de R$ 6,25 bilhões, em março de 2004, para R$ 1,8 bilhões, pouco mais de seis meses após o escândalo. Hoje, em recuperação, está em R$ 5,3 bilhões

A trajetória do Banco Rural nos últimos anos foi marcada por esforços para se reestabelecer do escândalo do mensalão. Criada em 1964, a instituição chegou a ser uma das maiores do país. Em março de 2004, figurava na 21ª colocação no ranking do banco Central (BC), R$ 6,25 bilhões em ativos totais e depósitos de R$ 3,8 bilhões. No final de 2006, o volume de ativos havia despencado para R$ 1,8 bilhão e o volume de depósitos para cerca de R$ 1 bilhão. Sua nota de crédito, que era A, caiu para BBB, na avaliação da maior parte das agências de risco.

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Feito o estrago, uma das primeiras medidas adotadas pelo banco para manter a credibilidade na praça foi a contratação de consultores de peso no mercado, como os ex-presidentes do Banco Central (BC) Gustavo Loyola e Nelson Carvalho. Paolo Zaghen, ex-presidente do Banco do Brasil, também foi chamado a avaliar o que poderia ser feito para estancar a sangria.

De lá para cá, diz Luis Miguel Santacreu, analista de instituições financeiras da Austin Rating, o banco cortou agências, demitiu funcionários, investiu em tecnologia, fez ajustes no balanço, provisionou perdas, trocou diretores e afastou os controladores do conselho diretor. “Os acionistas fizeram aportes de capital. Foi um banco que não deu calote”, afirma. Para lidar com as demandas da imprensa, foi criado um site de gerenciamento de crise.

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Em agências e funcionários, segundo dados do BC, a redução foi drástica. Eram 85, em março de 2005, pouco antes do estouro da crise do mensalão. Em julho deste ano, o banco tinha 26. O número de funcionários, que chegou a ser de 2275, no início de 2004, caiu para 576.

Os esforços, ao menos por ora, vinham dando resultados. No ranking do BC com data base de março deste ano, o volume de ativos já se aproximava de R$ 5,4 bilhões e, os depósitos, superavam os R$ 3,1 bilhões. “Eles estão retomando, mesmo com as dificuldades”, diz Santacreu. Resta saber qual será o impacto das condenações dos controladores.