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Até a aquisição da empresa brasileira, no primeiro semestre deste ano, companhia americana estava focada no mercado de importação e exportação

Rapidão Cometa: Fedex pretende usar capilaridade de entrega da companhia brasileira para oferecer no Brasil serviço de cargas expressas
Divulgação
Rapidão Cometa: Fedex pretende usar capilaridade de entrega da companhia brasileira para oferecer no Brasil serviço de cargas expressas


A Fedex, uma das maiores empresas de logística do mundo, ao lado de DHL, TNT e UPS, planeja ter no mercado interno brasileiro um serviço de encomendas expressas similar ao que a tornou famosa em seu país de origem. A construção de uma rede que permita a coleta de mercadorias dentro do Brasil, com destino no Brasil, e entrega na manhã seguinte, está na lista de prioridades da companhia em seu processo de integração com a Rapidão Cometa, adquirida no primeiro semestre deste ano. "É algo que devemos oferecer num futuro próximo", diz Michael Murkowski, sênior vice-presidente de operações da Fedex Express para a América do Sul.

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No Brasil há pouco mais de quatro semanas, Murkowski é o executivo que vai acompanhar pela Fedex o andamento de todo o processo de integração com a empresa brasileira.

O volume de investimentos envolvido no projeto de entrega de cargas expressas e a data em que irá entrar em operação são mantidos em sigilo pela companhia. Mas é algo que deverá acontecer dentro do período de 18 a 24 meses, estipulado para a conclusão do processo de integração. 

A tecnologia de rastreamento e gestão das encomendas usada provavelmente será a mesma que a Fedex usa em outros mercados em que oferece o serviço, como o americano, o mexicano, o indiano e o polonês. Murkowski não crava, mas diz que é o tipo de coisa que a Fedex pode agregar à empresa que irá surgir da união. A Rapidão Cometa é uma das líderes na distribuição de cargas fracionadas, mas faz muito poucas entregas expressas, especialidade da americana.

O estabelecimento de uma rede do gênero também permitirá à Fedex explorar mercados com grande potencial dentro dos clientes atuais. Um deles, diz o executivo, é o de grandes empresas internacionais que exportam para o Brasil e gostariam de ter um só fornecedor de serviços logísticos. "Eles vão querer entregar para nós a distribuição doméstica. E também achamos que vão usar nossa rede para exportar a partir do Brasil", afirma Murkowski. 

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No mercado interno, o comércio eletrônico uma nova fronteira em potencial. 

Mas haverá diferenças entre o sistema de entregas expressas no Brasil e nos Estados Unidos. Lá, a Fedex tem aviões próprios para fazer a ligação entre grandes cidades americanas e usa caminhões somente para cobrir os trechos finais da entrega. Por ser uma companhia de capital estrangeiro, a legislação brasileira impede que a empresa tenha aviões para cobrir rotas dentro do Brasil. Tem autorização somente para fazer a ligação com outros países. O problema, porém, poderá ser contornado com a compra de espaço em aeronaves de companhias brasileiras.

Até a aquisição da Rapidão Cometa, a Fedex atendia pouco mais de 2 mil cidades no Brasil. Com a compra, a unidade brasileira passou a alcançar 5,3 mil, saltou passou a quinta posição entre as  maiores filiais da companhia americana em receita (acima de R$ 1 bilhão, segundo estimativas), agregou 45 filiais, 145 pontos de distribuição, 770 veículos um terminal alfandegado em Suape.

Cautela

Fora a implantação do serviço de cargas expressas, porém, a ordem do dia na companhia é ter cautela para não comprometer a estrutura herdada com a aquisição. "Compramos a Rapidão porque é um negócio sólido e rentável. Não queremos mudar isso", afirma Murkowski. "Nessa fase, vamos manter os negócios como de costume em relação ao que oferecemos para os clientes e na forma como cada unidade é gerenciada".

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Na prática, explica, isso significa manter as equipes que já estavam na empresa, especialmente aquelas em cargos estratégicos. O exemplo mais emblemático é certamente o do presidente da Rapidão Cometa, Américo Filho, que passou também a ser presidente da Fedex Brasil. Haverá somente ajustes pontuais, diz o executivo americano, por causa do momento de desaceleração econômica por que passa o país.

O receio de impor uma cultura externa se justifica. Em meados da década passada, a holandesa TNT comprou duas grandes empresas de cargas rodoviárias no Brasil, a Mercúrio (em 2007) e a Expresso Araçatuba (em 2009). O processo de integração, porém, foi conturbado e já em 2010 a empresa amargava prejuízos de mais de 200 milhões de euros e a perda de grandes clientes.

A estratégia para não repetir o erro é baseada em um cronograma que prevê inicialmente a análise do que vale a pena integrar e o que não vale, tendo como critério "a geração de valor para os clientes". "Não queremos transformar a Rapidão Cometa em Fedex, nem a Fedex Brasil em Rapidão Cometa. Nosso objetivo é pegar os melhores elementos da cultura e das duas companhias e combiná-los em algo que seja unicamente brasileiro", diz.